Publicado em

4 de Junho de 2021

Escola do Turismo de Portugal //

Porto

2021 - Que Recursos Humanos continuamos a precisar para o Turismo

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À medida que a sociedade global vai ultrapassando, a diferentes velocidades, o contexto atual (…) são notórios os atuais sinais positivos em Portugal, nomeadamente no que diz respeito ao setor do turismo e às organizações que o compõem e, por conseguinte, importa recordar os processos e os perfis dos profissionais (presentes e futuros) do setor do turismo, até pelas alterações de paradigma que se continuam a verificar e à importância que os recursos humanos assumem e assumirão na resposta às mesmas.


O impacto dos estágios

Desde a década de 60 que as escolas de Hotelaria do Turismo de Portugal formam profissionais em áreas como Gestão Hoteleira e Alojamento, Gestão de Restauração e Bebidas, Gestão e Produção de Cozinha, Gestão e Produção de Pastelaria, Gestão de Turismo e, mais recentemente, em Turismo Cultural e Património e Turismo de Natureza e Aventura.


Devido à especificidade de todos estes cursos a componente prática é indissociável da aplicação em contexto real de trabalho e assim sendo, todos os cursos lecionados quer pelo seu objetivo, quer pelo seu conteúdo programático, têm uma componente obrigatória de estágio curricular em organizações do setor tais como hotéis, restaurantes, agências de viagens, museus e pastelarias, entre outras.


Importa referir que para muitos alunos os estágios curriculares são normalmente um primeiro contacto com o mercado de trabalho e que contribuem para aumentar a capacidade técnica e promover a autoestima do aluno. É por isso fundamental uma interligação forte entre a Escola e a entidade recetora de estágio para que eventuais desvios ou problemas sejam prontamente corrigidos.


A retoma da procura de estagiários

Nos últimos anos, assistiu-se no nosso setor do Turismo a um aumento em mais de 50% de pedidos de entidades recetoras de estágio nacionais, o que demonstra o valor que o mercado reconhece nos alunos formados nas escolas de Turismo de Portugal, e apesar de se ter verificado um abrandamento na fase inicial da pandemia, atualmente estamos perante uma forte recuperação! E, como não podia deixar de ser, hotéis e restaurantes contam cada vez mais com o conhecimento técnico e o perfil do aluno das Escolas de Hotelaria e Turismo.


Como a qualidade das unidades influencia a decisão dos estagiários

O aumento do turismo em Portugal e a qualidade cada vez maior das entidades do setor, incentivou essa procura e alterou o paradigma dos alunos. E assim, se há cerca de 5 anos, assistíamos à vontade de cerca de 80% dos nossos alunos em estagiar e trabalhar fora do país (inclusive, no momento da candidatura, muitos alunos referiam já essa vontade), neste momento, e de acordo com o estudo mais recente em 2019, apenas 6% se encontram a trabalhar no estrangeiro. São agora poucos os alunos que se candidatam a estágio fora de Portugal ou mesmo fora da área de residência, contribuindo assim para a renovação local e troca de aprendizagens no setor. Formar alunos e não os reter por si só seria um paradoxo!


Importante também será referir a preferência que o mercado de Turismo coloca na aceitação dos alunos provenientes das nossas escolas, não somente na componente de estágio mas também na incorporação laboral pós estágio. A comprovar esse facto está a taxa de empregabilidade estável nos cerca de 85% dos alunos provenientes das Escolas de Hotelaria, sendo esta com maior incidência nos cursos relacionados com a área da Hotelaria e da Restauração.


Novos e velhos desafios da contratação no turismo

Antes da pandemia vivíamos tempos de enorme efervescência no setor do turismo em Portugal. Os números impressionavam pela sua força e relevância: 12,7 milhões de Turistas/16,6 Mil Milhões de euros de Receita/9,4% do Emprego total (c. 356.000 pessoas). E, a sociedade respondeu, como pôde, à crescente procura de recursos humanos para alimentar o setor…


Infelizmente, nem todos esses postos de trabalho foram ocupados por alguém com formação específica para a atividade, e esta era uma realidade, que a par com a escassez de mão-de-obra, importava combater e ajudar a mitigar…


Porém, e apesar das dificuldades que ainda se fazem sentir, o setor continua e continuará a necessitar de profissionais dotados de conhecimentos e competências muito específicos e adequados às prestações que deles se esperam. Nunca é tarde para lembrar que o turismo, a hotelaria, a restauração e todos os demais subsetores prestam serviços, e como tal, é notório que o binómio Educação e Serviço é essencial para o sucesso desta indústria que cada vez mais ganha ou perde notoriedade (e atrás da notoriedade vem negócio e desenvolvimento) com as experiências que oferece e a forma como acolhe e recebe quem visita.


Como podemos responder ao desafio que nos é colocado?

Numa primeira abordagem, universalizando a importância do setor, ou seja, valorizando as profissões de toda a cadeia junto das famílias, para que estas incentivem e apoiem os seus filhos a entrar nesta área profissional...


Depois, apostando em formação fortemente orientada para as questões de atitude e comportamento, complementadas com componentes técnicas e práticas que valorizem a execução, pois muitos são os gestores e diretores de empresas que cada vez mais valorizam o saber-ser e o saber-estar (softskills), mais ainda neste setor de atividade.


Diz-se que o Turismo é uma indústria de pessoas para as pessoas e, portanto, a abordagem a ter na questão dos Recursos Humanos para o sector passa obrigatoriamente por formação e orientação para o serviço.

Nesta perspetiva, e indo ao encontro dos princípios orientadores da estratégia da Região Europeia de Gastronomia 2021, estimamos o reforço da formação e qualificação dos profissionais da região, beneficiando a cadeia de valor e a qualidade da oferta. Prevemos mais formação prática, flexível e de curta duração, procurando colmatar as necessidades já identificadas e agindo à medida!


Caraterísticas intrínsecas e os diferentes perfis

São inúmeros os estudos que referem como fator distintivo do nosso país, enquanto destino turístico, as pessoas, as nossas pessoas que diariamente dão o seu melhor para receberem e servirem todos quantos nos visitam.

Face a esta evidência, importa construir uma estratégia que nos permita, por um lado aumentar e otimizar o potencial existente nos Recursos Humanos que trabalham já no setor, e por outro, captar e qualificar aqueles que ainda necessitamos de atrair.


Onde podemos encontrar estes ativos? No nosso entender, nos jovens que pretendem ter uma carreira profissional dinâmica, inovadora e diferenciadora, mas também exigente e esforçada, e ainda em duas outras “fontes” sendo que uma será a imigração (que não será aqui analisada) e a outra os nossos concidadãos de faixas etárias mais elevadas, que ou estão em situação de desemprego, inatividade ou que procuram mudar de área profissional.


Em qualquer dos casos, e no sentido das expetativas e necessidades destes novos ativos, teremos que oferecer formação adaptada a cada um destes públicos, que nos chegará com competências e conhecimentos prévios, aptidões e atitudes/posturas diferenciadas, exigindo-nos, por isso, uma seleção mais fina e personalizada dos conteúdos a ensinar e das competências a trabalhar, tendo em conta os resultados esperados no final da formação.


Perante este novo paradigma, a flexibilização, adaptabilidade, capacidade de reinvenção e integração de processos de formação à medida emergem como desafios que teremos que integrar na dinâmica formativa.


Organizações & equipas

Finalmente uma palavra sobre o que se espera daqueles que tanto necessitam destas pessoas, e que, para tal, necessitam de olhar para elas numa perspetiva distinta da atual: mais focada no que estes ativos representam para as suas organizações enquanto investimento e garante de uma imagem de marca que pretendem promover e valorizar.


Ao investir na formação e no treino dos seus Recursos Humanos as empresas irão valorizar-se, incrementar os serviços que prestam e os produtos que vendem, levando as suas concorrentes a seguir-lhes os passos e iniciativas, contribuindo assim para uma melhoria generalizada do setor. Desnecessário será dizer, que todas estas “movimentações” irão potenciar a geração de mais receitas e otimizar os custos operacionais das empresas.


O momento atual

Apesar da elevada redução da atividade turística e do elevado número de empregos que foram suspensos ou mesmo extintos no alto da pandemia, neste momento inicial de recuperação do setor já são muitas as organizações que estão a sentir dificuldades em encontrar profissionais e estagiários para integrarem as suas organizações!


Por conseguinte é fundamental que as instituições, empresas e estabelecimentos de ensino do setor redobrem esforços na captação e preparação de qualidade dos profissionais presentes e futuros, através de estratégias concertadas de capacitação, de forma a garantir índices de desempenho e de qualidade superiores com o intuito de alcançar uma sustentabilidade duradoura e resiliente do turismo em Portugal.


Não podemos esperar mais, o futuro já está a acontecer!


Autores:

Paulo Morais Vaz

Diretor da Escola de Hotelaria e Turismo do Porto


Liliana Dias

Técnica Superior e membro da direção da Escola de Hotelaria e Turismo do Porto



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