Publicado em

25 de Fevereiro de 2021

Escola do Turismo de Portugal //

Estoril

Educação, Inovação e Empreendedorismo

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Por uma Educação inovadora e mais empreendedora: a vida na Escola e a Escola da vida

 

Vivemos, trabalhamos e estudamos a uma velocidade vertiginosa, muitas das vezes em “piloto-automático”, sem nos darmos conta do que está a acontecer. Com a pandemia o desafio é ainda maior, pois vida/trabalho/escola acontecem todos no mesmo espaço. E em família. E com tudo o mais à nossa volta. Como responder a este desafio, do ponto de vista mental, é a grande questão. A gestão do espaço e da largura de banda da internet tornam-se secundárias, quando o nosso maior ativo (o cérebro) não consegue gerir o turbilhão emocional em que estamos e, consequentemente, não conseguimos tomar decisões, na inquietação de que esta não seja a melhor escolha a fazer - o chamado efeito FOBO: fear of better options. Na dúvida, não decidimos nada. Reina a indecisão.


O passado deu-nos experiência, memórias e traz-nos saudades. O futuro gera ansiedade e traz-nos o desconhecido. Medo é uma emoção que todos conjugamos na primeira pessoa. Como conseguir viver “com a cabeça” no presente? Como ter foco na era das distrações?


É na qualidade de professora nas áreas de empreendedorismo e de inovação que faço esta reflexão, por observação da vida real, anteriormente em salas de aula, agora através de um pequeno ecrã. Ciente de que as Escolas do Turismo de Portugal estão a responder aos desafios que estão a ser colocados aos alunos e aos professores, da melhor forma possível. Novos tempos exigem a necessidade de se pensar e reequacionar temas e conceitos inerentes ao processo de aprendizagem, pelo que partilho algumas das inquietações que têm merecido a nossa atenção nas aulas:


# O maior desafio é a gestão das emoções e do foco - somos seres complexos e emocionais. A concentração é uma verdadeira missão, com todas as outras coisas interessantes para se fazer (estímulos), além de ser estar em frente a um ecrã… Como captar a atenção dos alunos? Como aprender a focar a atenção no que importa e onde canalizar as energias? Ajudar e contribuir para os alunos estejam “presentes” e não apenas atrás da câmara, muitas vezes nela refugiados.


# Não sabemos tudo sobre tudo – saber admitir a “ignorância “ é um sinal de inteligência, tal como ter uma mentalidade de crescimento e encarar o “novo”, o prazer das descobertas. Lidar com o desconhecido e com a incerteza. Há coisas que não sabemos, ainda. Passar esta informação aos alunos é crítico, dar-lhes essa confiança, da “margem de desenvolvimento” que todos temos.


# Sermos eternos aprendizes - aprender torna-se uma constante ao longo da vida (não só enquanto somos jovens e andamos na “Escola”), sendo este um dos eixos de ação da Comissão Europeia, através do seu programa de lifelong learning (LLP). Mas acima de tudo tem de existir uma aceitação do facto de que esta é uma responsabilidade individual, cada um deve definir o seu “programa”, desenhando-o à sua medida e dos seus interesses pessoais.


#Aprender na Escola – ser relevante faz a diferença, diz-se que “o conteúdo é rei”. Ter conteúdos programáticos pensados para os dias de hoje, no contexto atual, são essenciais para o desenvolvimento de competências críticas para a vida: capacidade de resolução de problemas, criatividade, pensamento crítico e inteligência emocional, entre outras. Com ferramentas ajustadas à realidade: modelos de negócio (canvas), design thinking; formações com Lego (hands on), assentes em histórias (storytelling) ou com recurso a técnicas de jogos (gamification) tornam a aprendizagem smart fun e mais facilmente interiorizada e recordada. Utilizando casos reais, desmistificando conceitos. Aprender, fazendo. Online e offline, se é que esta designação ainda faz sentido nos dias de hoje. Formato “B-learning” talvez seja mais “moderno”.


# Aprender fora da Escola – outras fontes de aprendizagem, ferramentas, metodologias e técnicas são uma evidência; a aprendizagem informal assume um papel mais predominante – conceitos de responsabilidade individual, autonomia, cocriação, inteligência coletiva e colaborativa ganham visibilidade, assentes no espírito de comunidade, networking, mentoring e de partilha (we are smarter than me). Social media, apps e Moocs (massive open online courses) proporcionam um mix de ferramentas diversas, colocando a aprendizagem numa amplitude nunca antes alcançada: 24 horas por dia, 7 dias por semana. Metodologicamente, o mundo torna-se “maior”, mais rico e diversificado: mais visual, mais sonoro, criativo, colaborativo e experiencial.


#A tecnologia ao serviço das pessoas – e não o oposto! A utilização da tecnologia “para o bem” e a literacia digital são fundamentais, mas não nos podemos tornar reféns do Teams ou do Zoom. Saber estabelecer limites pessoais, tempo e espaço para o online e para a “vida real”. O ensino online, à distância, síncrono e assíncrono são conceitos que teremos de tratar por tu, mas percebendo que faz parte de um todo, de uma aprendizagem completa e mais ampla. O digital não é o futuro. É o nosso presente.


# Novas profissões, novas formas de trabalhar e novos locais de trabalho. Community managers, youtubers. Nómadas digitais. Work (study) from anywhere. O virtual é também real. Esta realidade é a montra do mercado atualmente e do que faz mover a economia. Flexibilidade, conveniência. A vida não acontece apenas das 9h às 18h e nos dias úteis. Importa perceber o que move as pessoas, quais as suas motivações. Preparar os jovens para “o novo novo”, no qual estes possam vislumbrar oportunidades e formas de lidar com as adversidades.


É estratégico para as Escolas prepararem os seus alunos para estes desafios. A inovação na Educação passa pela integração dos pontos acima referidos. Um olhar sobre as pessoas (alunos), as suas necessidades atuais, expetativas quanto ao futuro e as suas emoções. Simultaneamente, alinhando conteúdos que façam a ponte com o mercado de trabalho e a vida profissional. É esse o trabalho que está a ser desenvolvido nas aulas de Intraempreendedorismo, Iniciativa Empresarial e Modelos de Negócio e em Modelos de Negócio em Empreendedorismo. Desenvolvendo competências e promovendo atitudes que permitam aos alunos “ver mais além”, devidamente enquadrados (e não alienados) do contexto que nos rodeia e que tanto nos influencia. E que não controlamos. O que controlamos é a forma como gerimos as nossas próprias competências e como transformamos a informação em conhecimento. Em “inteligência”! E isso é uma escolha.


Acredito que este é o nosso desígnio, enquanto professores, contribuir para que os alunos possam fazer as suas escolhas, de forma consciente. Por uma Educação inovadora e mais empreendedora, fazer a ligação entre a vida na Escola e a Escola da vida.

 

Artigo elaborado por Rita Oliveira Pelica, professora na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril.

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