Publicado em

7 de janeiro de 2021

Escola do Turismo de Portugal //

Algarve

ALGARVE, O MELHOR DESTINO DO MUNDO: SOL, PRAIA…E NEVE!

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ALGARVE É MESMO O MELHOR DESTINO DO MUNDO: SOL E PRAIA…E NEVE!

 

Fama, queda, paixões, abandono e renascimento. Um fruto, uma história, um ciclo de vida.

A amêndoa do Algarve pode provocar tudo isto? Um artigo que começa com uma proposta que não é indecente e que desfia esta relação duradoura e sentimental (e com laivos de novela) entre o homem e a amêndoa algarvia. 

 

Primeiros dias de janeiro, uma proposta sedutora:  

Meta-se no carro e dirija-se para sul, para a última faixa de terra do país, antes do imenso mar azul que nos separa de África.  

 

Passada a serra do Caldeirão, deixe os olhos vaguearem pelos campos do Barrocal Algarvio, terra vermelha encaixada entre a serra e o mar. É aí mesmo que vai encontrar um dos mais bonitos (e efémeros) cenários naturais de Portugal. 

 

A floração das amendoeiras é um acontecimento celebrado pelos algarvios e por todos os que habitam na região. Apesar do frio, apesar do pico do inverno, os campos cobertos de branco representam um novo ciclo, um puro sinal de esperança de que melhores dias virão e que a primavera é mesmo uma certeza.

 

Mas é preciso ainda seguir paralelo ao mar, em direção a Espanha, para encontrar uma das maiores manchas de amendoeiras e por consequência um espetáculo imperdível que se estende por vários quilómetros.

 

A pequena aldeia de Alta Mora, apanhada no meio deste ‘nevão’ todos os anos, tornou-se o ponto de partida e de chegada para centenas de curiosos e turistas, ansiosos de percorrer os terrenos em pura contemplação. O crescimento imparável de visitantes levou à criação do Trilho ‘Caminho da Amendoeira’, um percurso pedestre de pequena rota, circular, com 11 kms e que regista uma afluência cada vez maior de ano para ano.   

Espanhóis, italianos, alemães, holandeses são apenas alguns dos muitos turistas que acorrem a Alta Mora e que se fazem à estrada.

 

 AMENDOEIRAS EM FLOR JÁ TÊM FESTIVAL

Perante a popularidade do percurso, em 2020 a Associação Recreativa, Cultural e Desportiva dos Amigos da Alta Mora organizou o ‘Festival das Amendoeiras em Flor’.

Um evento com um enorme sucesso e que reuniu mais de um milhar de visitantes. «Sentimos que as pessoas simplesmente adoram as amendoeiras em flor. Tínhamos de aproveitar a presença de tanta gente e explorar os produtos locais, divulgar as tradições, a nossa cultura e claro, a lenda das amendoeiras em flor» refere Valter Matias, Presidente da Associação. Teatro, fabrico de artesanato ao vivo, workshops, plantação de meia centena de amendoeiras, foram apenas algumas das atividades da 1ª edição deste Festival que se estendeu por dois dias.  

 

ACREDITA EM ‘FELIZES PARA SEMPRE’?

Se não acredita, devia.

Há um casamento feliz, que dura há muitos séculos: o Algarve e a amêndoa. Deu origem a lendas de princesas nórdicas, infelizes e saudosas da sua neve. Para combater a tristeza, os

maridos decidem plantar amendoais a perder de vista para que elas se imaginassem rodeadas de neve. Assim, foram felizes para sempre.

Mas… há mais. Está a ver o ‘D. Rodrigo’? Amêndoa. O ‘Doce Fino’? Amêndoa. ‘Queijinhos do Algarve’? Amêndoa. ‘Morgado do Algarve’? Amêndoa.

 

Esta união é aprendida e absorvida pelos alunos dos cursos das áreas de Cozinha e Pastelaria na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve logo nos primeiros meses de formação. Sejam portugueses ou estrangeiros, mergulham a fundo nos produtos endógenos, nas tradições e nas influências de determinados alimentos na gastronomia e doçaria.

 

A amêndoa está em toda a parte, ou não fosse a ‘alma’ da doçaria tradicional do Algarve, de origem conventual. «É muito importante transmitir aos nossos alunos quais os ingredientes típicos mais usados e qual a sua origem, até porque temos alguns alunos estrangeiros que não conhecem. O objetivo é saberem usar e até criarem alguns doces com base nos produtos tão típicos do Algarve, como a amêndoa», refere Paula Domingues, chefe e formadora de Pastelaria.

 

https://escolas.turismodeportugal.pt/escola/algarve/

 

QUANDO OS ALUNOS SE APAIXONAM

É possível apaixonarmo-nos pelos produtos da terra? Sentirmos amor pelas laranjas, amêndoas, figos?

 

Juliana Santos, oriunda da Baia, Brasil e finalista do curso de Gestão e Produção de Pastelaria na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, assume o seu atual estado de enamoramento pelos produtos endógenos do Algarve.

Ao longo dos últimos 15 meses aprendeu a respeitar e a preservar a identidade da doçaria tradicional do Algarve, entregou-se com carinho aos segredos ancestrais da confeção dos mais famosos doces conventuais e rendeu-se a este mundo tão genuíno.

 

Para Juliana, o grande desafio aconteceu agora, no derradeiro semestre do curso, em que criou, juntamente com outros 2 colegas também brasileiros, Roberth Greco e Maurício Cannettieri o ‘Bom Rodrigo’.

Uma versão saudável, vegan e sustentável do mítico ‘D. Rodrigo’ mas sem ovos! Dá para acreditar?

«O amor que sentimos por esse mundo doce fez com que este grupo de brasileiros mergulhasse nas tradições portuguesa e algarvia, criando harmonia de sabores num projeto que mimámos, divertimo-nos e sentimos um orgulho imenso. Foi uma delícia envolvermo-nos na história, entender que explorar esses produtos da terra traça uma premissa sustentável e muito importante para a região», refere a aluna de Pastelaria.

 

O projeto está a decorrer no âmbito do módulo de Desenvolvimento de Produtos Gastronómicos, lecionado pelo chefe de cozinha Abílio Guerreiro, em que o desafio lançado aos alunos consiste na criação/inovação de produtos que salvaguardem e preservem as tradições e o nosso património, assentes na Dieta Mediterrânica e nos princípios da sustentabilidade. Difícil?  Claro que sim mas Florbela Guerreiro, Tatiana Matias e Sandra Soihet, também alunas de 3º semestre de Gestão e Produção de Pastelaria conseguiram acertar na fórmula perfeita. Dá pelo nome delicado de ‘Flor do Algarve’ e permite aos mais gulosos degustar os tradicionais ‘Doces Finos’ algarvios sem tanta culpa. «A ‘Flor do Algarve’ é um produto criativo, baseado em ingredientes nunca experimentados como a farinha da casca da laranja desidratada e as pepitas de laranja e a substituição da proteína animal por alternativas vegetais.

A ‘Flor do Algarve’ mantem a amêndoa como pilar, já que é uma fonte de gordura saudável, mas ainda tem um valor acrescentado de qualidade, por ser vegan, trazer benefícios à saúde e merecer, assim, a total confiança do consumidor», sublinha Florbela Guerreiro.  

Segundo o mentor do módulo, Abílio Guerreiro, estas inovações cumprem um objetivo muito definido: «Os projetos desenvolvidos têm uma estreita relação com o mercado e as empresas de forma a criar um espírito empreendedor junto dos alunos. Estes projetos sustentáveis dotam os alunos de conhecimento crítico face a um problema e incentivam a procura da solução em ambiente real».


https://escolas.turismodeportugal.pt/curso/gestao-e-producao-de-pastelaria/


 AMÊNDOA TAMBÉM PODE SER SINÓNIMO DE MANTEIGA SAUDÁVEL

 ‘Zé Dias Miúdo’, ‘Patarata’, ‘Fura Sacos’, ‘Rabo de Zorra’ são apenas alguns dos nomes curiosos das 84 variedades tradicionais de amêndoa que se podem encontrar no Algarve. Originária das zonas áridas e montanhosas da Ásia central, terá sido trazida para o sul do país pelos Árabes, a partir do sec. XII.

 

Não terá sido nisto que pensou Miguel Rodrigues, um jovem de Faro, quando olhou melhor para as imensas amendoeiras da quinta dos pais, localizada em Castro Marim. Fazia musculação e queria consumir apenas gordura saudável. Lembrou-se de começar a fazer manteiga de amêndoa na cave da sua casa e apenas para consumo próprio. Rapidamente ganhou clientes.


Daí à criação da marca ‘Nutural’ foi um piscar de olhos e hoje a sua Manteiga de Amêndoa do Algarve está espalhada de norte a sul do país e é procurada por pessoas que se preocupam em ter uma alimentação saudável mas também por turistas.

3 anos depois a gama de produtos que tem à venda é muito variada, desde a Manteiga de Amêndoa do Algarve Cremosa, à versão Aos Pedaços, às Barrinhas de Amêndoas com mix de vários ingredientes e culminando em diversas uniões felizes da sua receita original da manteiga de amêndoa: uma versão com alfarroba e mel e outra versão com figo e canela.


  «3 anos depois do início da Nutural estou a lançar uma nova marca – I’m Nat’ – exclusiva de produtos saudáveis mas em que a gama gourmet é precisamente baseada nos produtos originais, a Manteiga de Amêndoa do Algarve e os seus derivados. A aceitação destes produtos é enorme, mesmo com a pandemia. Claro que houve uma quebra, principalmente nas lojas físicas, de cariz mais turístico, mas nas lojas direcionadas para alimentação saudável e também nas lojas online as vendas mantiveram-se», congratula-se o jovem empreendedor algarvio.  


DA FAMA MUNDIAL À QUEDA

A amêndoa do Algarve conheceu a glória máxima até aos anos 60 do século passado quando era exportada para toda a Europa, com especial incidência para Inglaterra. Na Bélgica era cotada a preços superiores devido à sua reconhecida qualidade.

Apesar de resistente, de ser uma árvore de sequeiro e de chegar a durar meio século, a amendoeira não resistiu ao avanço das culturas de regadio e ao desenvolvimento do turismo. A área de amendoal é cada vez menor e o declínio e abandono das árvores é evidente por todo o Algarve.


À ESPERA DE RENASCER

Em termos de potencial turístico, está tudo ainda por fazer. Quem o reconhece é João Ministro, da Proactivetur. Esta agência especializada em Ecoturismo e Turismo Criativo no Algarve, quer «dar a conhecer a genuína cultura do sul de Portugal e apoiar a conservação deste riquíssimo património». Para isso, propõe experiências criativas em torno da cultura local e atividades de convívio com as aldeias, sempre em estreita relação sustentável com os valores do território e as comunidades locais.

Apesar das inúmeras ações já desenvolvidas, João Ministro reconhece que ainda não se viraram para a amêndoa. «Talvez pela sua floração acontecer num período muito específico e curto de tempo», refere. Mas há sinais de que as coisas podem estar a mudar: «Em março de 2020, fomos contactados por uma agência do outro lado do mundo, do Japão. Queriam organizar alguns dias de visita e caminhadas para um grupo de japoneses que estavam interessadíssimos em ver o espetáculo das amendoeiras em flor. Mas depois, com o início da pandemia, nada foi concretizado».

O interesse é evidente. O potencial também. Depois de mais de meio século de abandono os campos de amendoeiras do Algarve merecem renascer. 


Já está dentro do carro? Aceite a proposta inicial e venha até ao Barrocal Algarvio nos próximos dias. Há um manto de ‘neve’ à sua espera, há um ciclo de vida que recomeça. O festival, esse, também há de voltar.  


Artigo elaborado por Alexandra Trindade - Jornalista e formadora dos módulos de Técnicas de Comunicação e Storytelling e de Desenvolvimento Pessoal e Criativo na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve. 


Informações complementares:


Trilho ‘Amendoeira em Flor’

http://www.cyclingwalkingalgarve.pt/pt/route/pr8-the-almond-tree-route-castro-marim-2/

‘Nutural’  – http://nutural.pt/

‘I’m Nat’ - https://iamnat.pt/

‘Proactivetur’ -  https://proactivetur.pt/pt/home

‘Lenda das Amendoeiras em flor’ - https://www.visitalgarve.pt/pt/290/amendoeiras-em-fl%C3%B4r.aspx

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