Publicado em

8 de Julho de 2021

Escola do Turismo de Portugal //

Lisboa

As oportunidades que não podemos adiar.

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As Darwin stated so many years ago:” Adaptation is the key to the survival of a species.” 


Durante dois anos tentámos implementar a utilização de um software de gestão na nossa comunidade escolar, com muito pouco sucesso, e nas 48 horas que se seguiram ao dia 13 de março de 2020, data em que suspendemos a atividade letiva presencial, toda a comunidade escolar começou a utilizar a sua conta individual.

Este é apenas um exemplo do impacto gerado, não podemos subestimar o impacto da pandemia teve na forma como percecionamos o mundo e nas competências que desenvolvemos durante os longos períodos de confinamento.

Os que conservaram uma atitude positiva e tomaram ação, as escolas que se adaptaram e que transformaram de um dia para o outro toda a sua atividade até aqui presencial em atividade online, por força das circunstâncias, ainda não tomaram consciência das novas competências que desenvolveram, e não me refiro apenas às competências digitais, que são obvias, mas também a uma conjunto muito relevante de competências transversais: capacidade de adaptação, resiliência, resolução de problemas, autonomia da aprendizagem.

Façamos o seguinte exercício: Quantas horas dedicou a ver tutoriais para perceber a utilização básica de ferramentas colaborativas adotadas pela sua escola, pelos seus amigos ou parceiros para conseguir comunicar com outros colegas, com os teus alunos e garantir o fluxo de atividade? Quantos webinar assistiu das mais reconhecidas universidades e organizações? Quantos livros leu? Quantos artigos de imprensa? Quantas entrevistas viu? Quantos relatórios de estudos publicados online teve curiosidade de procurar e analisar?

A procura intensa de informação para conseguir compreender o que o que estávamos e ainda estamos a viver potenciou a aprendizagem. A intensidade de aprendizagem neste período, foi para muitos de nós exponencial.

Não é possível ter ainda a perceção clara do impacto real da pandemia na organização do trabalho e nas competências que serão mais relevantes na nova organização. Mas temos já algumas pistas, e muitas delas já eram uma tendência, contudo, o que a pandemia nos trouxe foi a aceleração destas mesmas tendências.

Adaptar-se à mudança, resolver problemas, gestão do tempo, gerir o stress, pensar proactivamente, trabalhar em equipa, autonomia (trabalhar de forma independente) eram já as competências transversais mais solicitadas nas ofertas de emprego online para o setor do turismo, hotelaria e restauração.

As competências transversais, têm vindo a assumir maior relevância e são decisivas no momento de contratação, sendo que as competências digitais ganham também maior importância e serão num futuro próximo ainda mais valorizadas.

Teremos nós capacidade de integrar nos nossos currículos, de forma consistente, as competências transversais que ganham terreno às competências técnicas, que obviamente continuam a ser a base, mas que não respondem, per si, as atuais necessidades?

Um dos dilemas que nos é colocado é que as competências que são mais fáceis de ensinar e avaliar são as que mais facilmente são automatizadas e as escolas, professores e alunos tendem a focar-se no que é mais tangível e mensurável, ou seja, nas competências técnicas.

O ensino de hoje tende para o desenvolvimento do pensamento crítico, resolução de problemas complexos, criatividade, colaboração, tomada de decisão, comunicação e negociação e no atual contexto teremos também de aprender a confiar ainda mais nas nossas capacidades exclusivamente humanas (até agora) de criatividade, responsabilidade e de sobretudo de “aprender a aprender” longo da vida.

A diversidade étnica, cultural e linguística que encontramos hoje nas nossas escolas e na nossa sociedade e que tenderá a intensificar-se, evidencia as competências sociais e emocionais, como a empatia, autoconhecimento, o respeito pelos outros, a colaboração, a comunicação, a perseverança, a eficácia, a responsabilidade, a curiosidade e a estabilidade emocional.

Estando consciente que houve muitas perdas de aprendizagem neste ultimo ano, e que as oportunidades diferem muito em função dos contextos socioeconómicos de cada um,  não restam dúvidas de que quando tivermos a possibilidade de voltar a estar na escola e de desenvolver o nosso trabalho presencialmente, algo que muito desejamos, e que nos permitirá disfrutar da fluidez das interações humanas e da subtilezas da comunicação não verbal , “escondida” nas micro expressões que não conseguimos ler /percecionar quando comunicamos através de um ecrã, conseguiremos garantir uma qualidade de aprendizagem muito mais ampla e uma formação 360º.

Contudo teremos de ter presente que a literacia ou mesmo a fluência digital será uma competência determinante para a maior parte de nós, sobretudo para quem está ligado à educação. Não faz sentido, desvalorizar tudo o que construímos e aprendemos durante este período, e não utilizar na relação com os nossos alunos estas plataformas colaborativas a que todos fomos de alguma forma forçados a utilizar durante este período - seria um enorme desperdício.

O futuro passa forçosamente também por aqui pelo que é imperativo que integremos na aprendizagem o conceito de phygital – a junção do físico com o digital- este é o nosso atual desafio.   

 

Ana Moreira

Diretora da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa

[artigo publicado na Euhrodip Association Magazine, edição de maio 2021]

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