Publicado em

11 de Março de 2021

Escola do Turismo de Portugal //

Douro - Lamego

E@D: o lado oculto

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O confinamento imposto à população portuguesa pela implementação do estado de emergência precipitou o fecho das escolas, a nível nacional, a partir do dia 21 de janeiro deste ano, empurrando tanto alunos como professores para a realidade do ensino à distância mais uma vez, a par do que já tinha acontecimento no ano de 2020.


Desse primeiro momento (2020) podemo-nos arriscar a dizer que foi mais um ensino de emergência à distância do que ensino à distância. Apesar de alguns dos estabelecimentos de ensino já trabalharem com algumas plataformas, a grande maioria estava ainda aquém da realidade emergente à data. Passado quase um ano voltamos a novo confinamento geral e à repetição do ensino à distância. E agora? O que mudou? Como o encaramos agora? São questões sobre as quais vale a pena refletir.


Do lado particular de um professor, penso que em muitos aspetos, mudou. De março de 2020 até ao dia de hoje, as escolas foram-se gradualmente preparando para três possíveis situações a ocorrer neste ano letivo: em primeiro lugar ensino presencial em tempos de pandemia (mais importante e premente); em segundo lugar um possível novo confinamento geral (que aconteceu); em terceiro lugar, um ensino misto, com uma vertente presencial e outra online (se calhar não tão utópica como alguns de vós possais estar a pensar).


Na generalidade, as escolas portuguesas foram bem sucedidas e a principal razão foi a que todos os atores da comunidade educativa trabalharam em conjunto: direções de agrupamento; professores; auxiliares de ação educativa; encarregados de educação; órgãos de soberania locais e instituições externas à escola. Todos desenvolveram esforços para que os alunos portugueses pudessem usufruir de um ensino à distância nas melhores condições possíveis.


Ora aqui está um impacto não tão visível da pandemia, o aumento da cooperação/empatia entre os diferentes membros da comunidade educativa. Algo que parece muito pequeno, mas que, tantas vezes por motivos vários, era difícil de conseguir e que, na minha singela opinião, foi o principal alicerce para, em tempo recorde, “montar” o ensino à distância à escala nacional em Portugal.


Abordando em particular a rede de escolas do Turismo de Portugal, foram disponibilizados equipamentos informáticos aos alunos e atribuídas bolsas de apoio às famílias mais carenciadas para suportarem os custos com o acesso à Internet. Outro aspeto a assinalar, que a pandemia trouxe, foi o impulso forçado dos professores a “mergulhar” no mundo das novas tecnologias e utilizá-las em prol dos seus alunos no ensino à distância. Os professores viram-se deparados, em março de 2020, com a realidade de terem que aprender, o melhor possível, como utilizar tecnologias que permitissem o ensino à distância (eLearning) tendo, mais ou menos bem, conseguido fazer chegar a escola e a sala de aula à casa dos seus alunos.


Embora a curva de aprendizagem tenha sido, numa fase inicial, a “picareta” e “martelo”, penso que os professores portugueses conseguiram dar conta de si e fazer algo de extraordinário em março de 2020: readaptar totalmente as metodologias e estratégias para a implementação do ensino à distância. Passou-se a dar toda e qualquer atenção ao eLearning e aos instrumentos que o permitissem. Foi revisitado o documento com as Diretrizes Políticas para a Aprendizagem Móvel (UNESCO), publicado em 2014, de forma a que a “aprendizagem a qualquer hora em qualquer lugar” pudesse acontecer. É mais que certo que nada substitui o ensino presencial e o professor, pois os laços sociais e de empatia entre este e os seus alunos é um elemento importantíssimo no processo de ensino e aprendizagem. Mas, em resposta às circunstâncias, os professores portugueses, de um modo geral, não estiveram nada mal.


E então? O que retirar daqui? Muitas personalidades no nosso país, ligadas de alguma forma à educação, referiram que os alunos serão gravemente prejudicados no ensino à distância e eu pergunto: será? Será que ensinar um aluno a aprender sozinho e a usar novas tecnologias da forma mais correta para pesquisa de informação não é importante? Será que um aluno aprender a utilizar novas tecnologias como, por exemplo, a videoconferência, não é importante para a sociedade do século XXI?? Será que um aluno com autonomia para a autoaprendizagem não irá respeitar mais o seu próprio ritmo de aprendizagem?


Uma ilação que posso retirar é que o impacto da pandemia, para além das situações graves e negativas que claramente nos trouxe, também abriu portas e janelas para o novo entendimento do processo do ensino e da aprendizagem. Se calhar, sou eu que sou demasiadamente otimista ou ingénua mas, se incluíssemos de forma constante o eLearning no ensino presencial nas escolas poderíamos, talvez, alcançar verdadeiramente o objetivo de o aluno ter a possibilidade de aprender a qualquer hora e em qualquer lugar. Não estou a desvalorizar a escola e muito menos a desacreditar o papel do professor e restantes agentes escolares. O lugar dos alunos e professores é na escola! Não me interpretem mal. Mas será que todas estas skills que todos nós adquirimos e desenvolvemos, neste quase último ano, não poderá trazer benefícios a longo prazo, no processo ensino-aprendizagem? A pandemia como já referi, trouxe aspetos altamente negativos e danosos para a sociedade portuguesa, mas também ofereceu a possibilidade de reinventar e reestruturar. Termino com uma afirmação do pedagogo Paulo Freire, “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. Vale a pena pensar nisto, não?


Autora: Sandra Vaz, docente de Língua Inglesa

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