Publicado em

21 de Janeiro de 2021

Escola do Turismo de Portugal //

Vila Real de Santo António

Educação e Sustentabilidade

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Educação & Sustentabilidade


Quando em crianças assistíamos a filmes futuristas de realidades distópicas, tudo nos parecia distante e inverosímil. Como se fosse impossível que o ser humano pudesse um dia destruir o planeta onde vive, tornando impossível a sua própria sobrevivência. Infelizmente, essa recusa em acreditar na nossa infinita capacidade de destruição foi o que conduziu o nosso planeta ao limite em que hoje se encontra. Temos ilhas de plástico no meio do oceano, presenteando com marés de lixo as outrora praias paradisíacas; temos recordes de aumento de temperatura a cada verão e o oposto a cada inverno. Num futuro próximo, os nossos filhos e netos conhecerão certas espécies animais apenas em imagens de arquivo. O camaleão deixará de percorrer as matas algarvias, o cavalo marinho desaparecerá da Ria Formosa e o lobo ibérico existirá apenas nos contos de Perrault.


É por tudo isso que urge partir para a ação, deixar de lado a teoria e passar à prática. Como? Seguindo a máxima de Pitágoras, “educai as crianças para que não seja necessário punir os adultos”.  Cada escola é em si uma possibilidade de mudança, por isso o conceito de sustentabilidade deve ser algo que aprendam, não na teoria, mas na prática.


Aquando das entrevistas a futuros candidatos, apercebemo-nos da quantidade de jovens que não associam o termo sustentabilidade às questões ambientais. Grande parte dos inquiridos associou o vocábulo a questões económicas, no sentido de lucro e produtividade de uma empresa, ou seja, a necessidade de manter o seu “sustento”. Poucos associaram o conceito ao meio ambiente, à preservação dos recursos naturais e o seu não comprometimento no futuro. Apesar de ser cada vez maior o número de crianças e jovens empenhados em causas ambientais, há ainda um longo percurso a percorrer.


O Turismo de Portugal e a sua rede de escolas assumiram há muito este desafio, preconizando uma formação assente na ideia de turismo sustentável, um turismo que visa o uso adequado dos recursos ambientais, assegurando a sua viabilidade a longo prazo, respeitando as características das comunidades locais.


A Agenda 2030, aprovada em 2015 pelas Nações Unidas, identifica um conjunto de metas comuns para podermos aspirar a um desenvolvimento sustentável à escala global. Assinada pela grande maioria de países, define dezassete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em áreas que determinam a qualidade de vida dos cidadãos. Subdivididos em cinco grandes áreas: Pessoas, Planeta, Prosperidade, Paz e Parcerias, os ODS traçam o caminho a seguir.


Cada uma das nossas escolas abraçou esse desafio, traçando os seus projetos técnico-pedagógicos em função desses mesmos ODS. Na escola de Vila Real de Santo António, dada a nossa área de influência e a importância estratégica que tem para nós o território do Sotavento Algarvio e Baixo Guadiana transfronteiriço, escolhemos nove desses objetivos para trabalhar no próximo triénio:


- Erradicar a fome;

- Saúde de Qualidade;

- Educação de Qualidade;

- Trabalho Digno e Crescimento Económico;

- Indústria, Inovação e Infraestruturas;

- Cidades e Comunidades Sustentáveis;

- Produção e Consumo Sustentáveis;

- Proteger a Vida Terrestre;

- Parcerias para a Implementação dos Objetivos.


Estes nove objetivos nortearão a nossa atuação nos próximos anos, esperando assim aportar o nosso “grãozinho de areia” na construção de um mundo melhor.

O programa Eco-escolas tem-se revelado outra ferramenta preciosa neste percurso. No ano letivo 2019/20, todas as escolas do Turismo de Portugal obtiveram o almejado galardão eco-escolas e passaram a poder hastear a sua bandeira. A reciclagem passou a ser prática comum nos nossos estabelecimentos de ensino, as ementas dos nossos refeitórios e restaurantes de aplicação tornaram-se eco-ementas, combatendo o desperdício alimentar, promovendo a alimentação saudável e os produtos de agricultura biológica. Nos pátios das nossas escolas podemos encontrar hortas escolares, mantidas por alunos, professores, colaboradores e até comunidade local. A palavra solidariedade é parte integrante do nosso vocabulário, com campanhas solidárias de pequena ou grande dimensão.


É esta a ação que estamos a desenvolver, a passagem das palavras aos atos, da teoria à prática, ainda que a pandemia tenha vindo trocar-nos as voltas, obrigando-nos a repensar todas as nossas ações e desafios. Uma coisa é certa, educação e sustentabilidade têm de andar de mãos dadas. O tempo exige, a consciência obriga e a ação, causa de todos, desenha-nos o caminho.  

 

Autoria

Ângela Felício

Formadora na Escola de Hotelaria e Turismo de Vila Real de Santo António

Assessora da Sustentabilidade no Turismo 

Coordenadora da Internacionalização & Cooperação Transfronteiriça

 

Imagem retirada do site http://www.conexaoambiental.pr e adaptada para esta publicação.

 

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