Publicado em

22 de Dezembro de 2021

Escola do Turismo de Portugal //

Coimbra

Artigo EHTCoimbra - Empatia

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Este é um período em que as nossas memórias nos transportam para outros tempos. Tempos em que a magia nos inundava, onde a curiosidade e o entusiasmo para vermos o que estava dentro daqueles embrulhos, nos faziam estar acordados muito para além da hora normal, onde o sono ficava para segundo plano.


É um tempo, também, onde a saudade e a nostalgia ganham uma dimensão maior. Recordamos aqueles que já não estão e que queríamos ao nosso lado, das noites passadas à lareira, das perguntas “Portaste-te bem este ano para o pai natal te trazer muitas prendas?”

 

Somos moldados pelas nossas memórias, e este é sobretudo um período de memórias, de partilha, de família, de contribuição, de união e de convivência.

 

Ao longo dos anos, temos vindo a ser sugestionados para associar o Natal a compras, presentes e lembranças.

 

Felizmente, as nossas condições sociais e financeiras têm melhorado nos últimos 40 anos, o que alterou o nosso tipo de motivação, de uma motivação de pura sobrevivência, necessidades básicas, para uma motivação baseada no propósito individual.

 

Mesmo num período como este, o culto do individualismo sobressai nas nossas atitudes, decisões e escolhas. O problema é que, com o tanto que podemos ter, tão pouco nos sentimos.


O que os nossos avós poderiam comprar aos nossos pais nesta altura, podemos agora, comprar em dobro aos nossos filhos. E nada parece suficiente!

 

“O outro tem, eu também quero ter!” surge, não como um pedido, mas quase como uma ordem.

 

A excessiva influência por parte das redes socias deixam as nossas crianças, e ao mesmo tempo, nós próprios, à mercê de uma sensação de carência e de falta, onde o que não se tem ganha cada vez mais relevância. Começamos assim, uma competição onde entramos para perder.

 

Nós, seres humanos, necessitamos de nos sentir autónomos, competentes e ter significado. Sem estarmos conscientes, procuramos isso da forma mais rápida e cómoda. Os nossos dispositivos eletrónicos e as aplicações que podemos ter à distância de um gesto, ajudam a alimentar essas necessidades e a distrair-nos do essencial.

 

Temos a capacidade e liberdade de escolher o que vamos ver e fazer no nosso telemóvel (autonomia).A facilidade de interação e manuseamento faz nos sentir no controlo (competência) e isso traduz-se numa sensação de significância, importância (significado).

 

Os nossos dispositivos eletrónicos e todas as suas possibilidades, fazem-nos viver

dentro da nossa pequena bolha, e quanto mais vivemos dentro da nossa bolha e da nossa realidade, menos empatia sentimos.

 

O problema é que essa bolha se vai tornando cada vez mais pequena para as nossas verdadeiras necessidades. Um vazio que vai ganhando cada vez mais espaço. Parece irónico, que quanto mais podemos ter, mais escassez sentimos.


O que é que nos faltará? O que é que tanto procuramos que não conseguimos encontrar? Porque é que em muitos casos, a ausência ganha particular importância relativamente ao que temos?

 

Segundo António Damásio, médico e neurocientista português, “Não somos máquinas de pensar, somos máquinas de sentir que pensam", o que significa que as emoções têm um papel muito maior nas nossas decisões do que aquilo que pressuponhamos.


É assim fundamental lidarmos com um conjunto de estados emocionais que nos permitam viver de uma forma mais feliz e equilibrada. Segundo Daniel Goleman, a inteligência emocional é, nos dias de hoje, um conjunto de competências que devemos trabalhar e desenvolver.

 

Uma dessas competências é a empatia. A empatia é a capacidade de entender do ponto de vista emocional o que as outras pessoas sentem, olhar para as situações do seu ponto de vista e imaginarmo-nos no seu lugar. Resumidamente, é colocarmo-nos no lugar da outra pessoa e sentir o que ela poderá estar a sentir.

 

Como se sente ao ver uma criança pequena, que perdeu os seus pais, sozinha, num campo de refugiados?

 

Provavelmente, essa sensação, chama-se empatia.

 

Olhar para as nossas falhas sem julgamento é ser benevolente. Olhar para os erros dos outros, sem critica e sentindo o que ele sente, chama-se empatia.

 

Ter empatia faz com que deixemos de pensar tanto em nós próprios e sobre nós próprios e nos preocupemos com o bem-estar e a felicidade dos outros. Em vez de julgar, devemos compreender, em vez de obrigar, devemos sugerir, em vez de manipular, devemos respeitar, em vez de impor, devemos sugerir.

 

É fundamental perceber que o nosso ponto de vista acerca de alguma coisa, é subjetivo e condicionado por aquilo em que acreditamos, pelas nossas experiências e pelos nossos valores.

 

Queremos o melhor a todas as pessoas que nos estão mais próximas, e que fazem parte do nosso ciclo de influência.

 

A questão é que o melhor que queremos para elas poderá não ser, de facto, aquilo que elas querem, ou até o melhor. Quando temos a nossa aptidão empática desenvolvida, sabemos que apenas podemos sugerir um caminho, apontar numa direção, mas nunca impor.

 

Cada um tem de fazer o seu caminho, as suas escolhas. Cada um tem que ter as suas próprias aprendizagens.

 

Não podemos ser felizes e sentirmo-nos bem se estivermos sempre sozinhos. Necessitamos das outras pessoas para viver, para evoluir e para sentir que fazemos parte de algo maior do que nós mesmos.

 

Como diz Neal Donald Walsch: “A vida não é sobre nós, mas sobre todos aqueles que se cruzam no nosso caminho e que impactamos com a nossa mensagem e o nosso exemplo, tornando o caminho dessas pessoas um pouco melhor do que era até aí!”

 

 

Algumas dicas:

 

·         Escutar sem interromper.

·         Não construir mentalmente a resposta quando a outra pessoa está a falar.

·         Não olhar, de todo, no telemóvel.

·         Estar atento à linguagem corporal da outra pessoa.

·         Fazer questões para tentar conhecer melhor a pessoa.

·         Tentar perceber a pessoa, mesmo quando não estamos de acordo.

·         Colocarmo-nos na pele da outra pessoa.

·         Imaginarmo-nos a ter de defender o ponto de vista da outra pessoa como se fosse nosso.

 

 

A empatia permite-nos ver o mundo aos olhos de outra pessoa, respeitando a forma de ser do outro, partindo de um princípio: "Primeiro entende para só depois ser entendido."

 

Jamais devemos permitir que nos imponham, ou impor, a forma como devemos ser, o que devemos fazer ou as escolhas que devemos tomar.

 

Quem nos quer acrescentar, apenas pode apontar uma direção, mas independentemente da nossa escolha, aceita-a e está presente se esse caminho não correr como esperado, assim como nós devemos estar quando a outra pessoa escolhe um caminho diferente daquele que sugerimos.


Fábio Costa - Formador da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra


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