Publicado em

8 de Abril de 2021

Escola do Turismo de Portugal //

Algarve

GOOD MORNING, PORTUGAL!

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 E quando sentimos que temos de atravessar oceanos ou percorrer uma parte do planeta para que a vida se concretize e os sonhos possam ser um bocadinho mais reais? Aquele momento preciso em que é necessário recorrer a cada pedaço de coragem para agarrar nas malas e virar costas ao conforto do mundo que conhecemos? Todos os anos, vindos de vários cantos do mundo, mais de uma centena de alunos chegam às escolas do Turismo de Portugal em pleno turbilhão emocional, depois de terem tomado 'A' decisão, aquela que acredita ir mudar para sempre a sua vida.


Tinham passados 12 dias desde que festejara os seus 18 anos, quando Nicole Macuacua se meteu no avião em Maputo rumo a Portugal.

Tinha ainda o 11º ano de escolaridade para completar e o 12º por frequentar mas a sede de conhecimentos, uma vontade de algo mais para a sua vida colocaram-na dentro daquele avião rumo a um mundo de incertezas. Os planos estavam, há muito, bem delineados na sua cabeça: Fixar-se no Algarve por ser uma região turística e com mais oportunidades de emprego, terminar o ensino secundário e prosseguir para uma formação especializada.

 

Conseguiu um emprego como ajudante de cozinha e com esse contrato tratou da sua autorização de residência, num processo que diz que decorreu de forma 'normal'. Arranjou uma casa e inscreveu-se na escola secundária de Quarteira.

 

Até parece fácil mas o 'desconforto' é do domínio dos sentimentos, dos pequenos pormenores, do que se sente na pele em cada momento desta adaptação.

 

Nicole sensação e de que maneira: “Foi muito complicado adaptar-me ao estilo de vida de cá, à forma de ser das pessoas e principalmente ao clima. No inverno faz tanto frio! Eu nem sabia que roupa comprar… rapidamente percebi que gastar cinquenta ou sessenta euros num casaco era boa ideia. Via as ruas todas vazias (no Algarve, em pleno inverno, isso acontece) e ficava cheia de saudades da minha terra ”.  

 

A determinação fê-la mergulhar a fundo no trabalho e nos estudos. Fez o 11º e o 12º anos e candidatou-se à Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve pelo prestígio que a rede de Escolas do Turismo de Portugal tem. Pela primeira vez, desde que estava em Portugal, recorreu à ajuda da família: “Nunca tive ajudas, mas agora é a minha mãe que paga a escola. Eu pago tudo o resto. Em Moçambique sempre vivi em casa dos meus pais, mas aqui dependo apenas de mim ”.

  

Nicole tem uma visível paixão pela área da cozinha, Os seus trabalhos sempre foram em cozinhas diferentes definidos e há muito que criou uma página no Instagram sobre Alimentação Saudável, um Home Easy Cooking, onde partilha as suas criações. No entanto, escolhida o curso de Gestão de Turismo:

 

“Queria experimentar algo diferente e está a ser uma experiência incrível, estou a adorar tudo o que estou a aprender. Espero, no futuro, voltar ao meu país e pôr em prática estes conhecimentos. Acredito que, com minhas competências, poderei fazer algo para desenvolver o turismo em Moçambique. Mas não me vejo a viver 100% lá. É uma realidade muito diferente daqui. Aqui estamos em constante aprendizagem e lá isso não acontece. Não me vejo a parar de crescer ”.


https://escolas.turismodeportugal.pt/curso/gestao-de-turismo/

 

DOS 4 CANTOS DO MUNDO PARA PORTUGAL

Se no caso de Nicole os planos parecem concretizar-se, passo a passo, a realidade de muitos candidatos de países que não integram a União Europeia, não é bem essa.

Atraídos pela hipótese de formação na Europa, pelo fama e reconhecimento da rede de escolas do Turismo de Portugal, muitas vezes candidatam-se todos os anos para as 12 escolas. Entre os falantes de língua portuguesa a grande preferência vai para o curso de Gestão e Produção de Cozinha e para quem procura cursos em língua inglesa o curso Arte culinária domina como avaliações.


https://escolas.turismodeportugal.pt/curso/culinary-arts-en/

 

No entanto, há uma grande diferença entre conseguir uma admissão e medidor-se permanece no avião para frequentar uma escola e o curso sonhados.

Perante a demora na conclusão dos processos burocráticos para obtenção de visto, que muitas vezes impede os alunos de ingressar nos cursos, a rede de Escolas do Turismo de Portugal decidiu estabelecer no ano letivo de 2021-2022 um Regime Especial de Acesso e Ingresso para estes estudantes, antecipando o início da fase de candidaturas e prestando todo o apoio e acompanhamento nesta fase.

 

“Ao antecipar o processo geral de candidaturas, procuramos adequar a resposta das Escolas de Hotelaria e Turismo à crescente procura de estudantes estrangeiros, indo ao encontro das suas especificidades e concedendo mais tempo às burocracias inerentes processuais destes. Aguardamos a candidatura de muitos estudantes e desejamos a todos boa sorte! ”, Afirma Ana Paula Pais, diretora do departamento de Formação do Turismo de Portugal.

 

https://escolas.turismodeportugal.pt/p/candidaturas-alunos-internacionais/

 

 

RECOMEÇAR DO ZERO

Estava ainda do outro lado do Atlântico, numa pequena cidade chamada Niterói, junto ao Rio de Janeiro e Cristina Salathiel, licenciada, não sabia que teria de passar as 'passas do Algarve' para conseguir a necessidade de legalização em Portugal.

Com 40 anos e uma filha adolescente, Cristina vivia um período tão difícil financeiramente que estava disposta a regressar a Portugal onde já vivera dez anos antes e começar, literalmente, a vida do ponto zero: “Com 40 anos botei a minha vida em 2 malas e decidi vir para o Algarve. Estava tão desesperada. Consegui casa através do Facebook e já tinha uma promessa de trabalho numa pastelaria. Só que não consegui o contrato que precisava para obter a Autorização de Residência ”. Sem ter a sua situação legalizada Cristina não cumprir um outro sonho que trouxe na bagagem e que era frequentar Pastelaria nas escolas do Turismo de Portugal.

 

Acabou por arranjar trabalho e um contrato que viabilizou a obtenção da Autorização de Residência, para si e para a sua filha, agora com 15 anos. “Eu tenho muita sorte! Mesmo com todos os percalços, eu fui abençoada e consegui legalizar-me ”. Mas a pandemia voltou a trocar-lhe como voltas.

 

Perdeu o emprego e a segurança financeira. Por outro lado, deu-lhe o tempo que precisava para o outro sonho adiado: “Sempre quis vir para as escolas do Turismo de Portugal, desde o tempo em que fez uma faculdade lá no Brasil. Mas como sempre trabalhei desde que cá cheguei, era impossível frequentar. Com a pandemia, perdi a certa e pensei que seria a altura. O meu irmão, que vive na Austrália ofereceu-se para pagar o curso ”conta Cristina.

 

Hoje com 42 anos, frequenta o curso de Gestão e Produção de Pastelaria na Escola do Algarve. Não sabe o que vai fazer no futuro mas a vida que já soma, dá-lhe uma certeza: “Eu já fiz muita coisa na vida. Cheguei a vender bolos na rua, com a minha mãe, lá em Niterói. Fui conhecendo muitas pessoas, cosmi para ganhar fama e arranjei uma grande rede de clientes. Eu era muito empreendedora. Aqui em Portugal, talvez porque sozinha com a minha filha, ainda não tenho coragem para me lançar. Para já tracei o objetivo de terminar o curso. Depois, tenha muita vontade de abrir o meu negócio, tenho a certeza que não quero trabalhar mais para os outros ”.


https://escolas.turismodeportugal.pt/curso/gestao-e-producao-de-pastelaria/

   

QUE SEGREDO SE ESCONDE NO PORTO?

Os brasileiros lideram, de forma destacada, o ranking dos estudantes de países extracomunitários que fazem a sua formação nas escolas do Turismo de Portugal.

Curiosamente, uma Escola do Porto é a que recebe a maior porcentagem desses alunos, talvez devido ao trabalho de vários anos a estabelecer contactos e 'canais' com alguns países.

Neste momento, têm mais de três dezenas de estudantes internacionais oriundos de países como Líbano, Peru, Vietname, Egito, Bangladesh, Índia, Turquia, China, Brasil, Ucrânia, Angola, Cabo Verde e Moçambique.

Dividem-se pelos cursos em língua portuguesa e pelos cursos ministrados em inglês: Arte Culinária, Gestão de Operações de Hotelaria e o novíssimo Gestão de Alimentos e Bebidas.


https://escolas.turismodeportugal.pt/curso/hospitality-operations-management-en/


Para além das ligações existentes com estes países, há outra razão para esta preferência pela escola do Porto e que é destacada por José Santos Carvalho, Assessor de Formação Inicial da Escola de Hotelaria e Turismo do Porto: “A nossa cidade é, apesar de tudo , mais barata do que Lisboa. Isso é um fator muito importante. Com a pandemia tornou-se muito mais fácil arranjar alojamento. Por exemplo, 3 alunos do Líbano arranjaram uma casa toda remodelada, com 2 quartos, numa zona privilegiada, pelo valor de oitocentos euros. Isto é muito barato para os parâmetros do Porto ”

 

SOL E PRAIA TAMBÉM AJUDAM NA HORA DA DECISÃO

Os fatores de atração variam de região para região e nenhum caso do Algarve estão bem identificados: “No caso específico da nossa escola, ao realizar como classificação de admissão percebo que querem Faro primeiro que tudo devido à formação de excelência de que ouviram falar. Depois, e muito especialmente no caso dos brasileiros, é porque já conhece, estiveram cá de férias e também por causa da praia do clima. O facto de termos alojamento também é muito interessante para os candidatos », referiu Maria Eduarda Freitas do Gabinete de Apoio à Candidatura da Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve.

 

NEM A PANDEMIA DIMINUI A PROCURA

Mesmo com as dificuldades na obtenção de visto e mesmo com a pandemia, o número de candidatos e de alunos matriculados que surgem de países fora da União Europeia não pára de crescer de ano para ano.

Roberth Greco, 27 anos, está mesmo a terminar o curso de Gestão e Produção de Pastelaria. Natural de Porto Alegre no estado do Rio Grande do Sul enfrentou o maior desafio da sua vida ao vir para Portugal fazer a formação na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve: deixar a família, com quem tem laços muito fortes e de quem nunca imaginou separar - se

Foram 3 semestres de pura luta contra as saudades, agarrando-se a cada momento ao sabor do sonho que estava finalmente a concretizar.


A pandemia e o confinamento consequente (o primeiro) abalaram profundamente como suas emoções e quase ditaram o fim de tudo: “A família pedia-me constantemente para retornar ao Brasil! Foram tempos de tirar foto do inimaginável para o desconhecido. Seria uma pausa nos sonhos? Voltar ao Brasil e ficar recluso com as pessoas que amo, ou ficar em Portugal com saudade de casa, das pessoas que amo em um momento tão difícil para humanidade e continuar a estudar?

Eu não sei quantos sonhos as pessoas normalmente conseguem, mas eu não consegui muitos, até agora. Esta era a minha oportunidade, a minha chance! Eu trabalhei duro para me manter na Europa nesse período. Ouvi vezes para empurrar meus sonhos para depois, isso me destruía por dentro, pois pensava: “Será que vou ter outra chance depois? Escolhi ficar. Fiquei num quarto do alojamento da escola que me amparou imenso nesse período, assistindo às aulas on-line. Foram meses de evolução, de autoconhecimento, de aprender com o desconhecido. Aprendi o valor da empatia e da gratidão ”, recorda Roberth.


Já regressado ao Brasil, Roberth transformou o café que tinha numa pastelaria (Mocca Café) e tem enviado mensagens sobre o seu dia a dia, o qual teste como sendo “exatamente aquilo que gosto de fazer. Hoje, sem nenhuma dúvida, a capacidade de gerir a minha empresa aumentou muito graças ao conhecimento que adquiri tirando esse curso. Aumentou também a vontade de reinventar-me, pensar fora da caixa, elevou meu espírito de empreendedor. Os produtos estão adequados à nova realidade, com preços justos e de ótima qualidade. Estou vendendo bastante pelas redes sociais, estou trabalhando o marketing que aprendi nas aulas de Marketing Digital, Empreendedorismo e Intra empreendedorismo ”.


Para Roberth, Nicole, Cristina e muitos outros de alunos que passam pelas escolas do Turismo de Portugal, a concretização deste sonho tem uma consequência: “Abre portas para novos sonhos entrarem”, como diz Roberth, cheio de entusiasmo, na sua última mensagem, há 2 dias.

Algo muda inexoravelmente. Quer permaneçam em Portugal quer regressem aos seus países, há um universo imenso que se expande dentro de cada um.

Há também, para sempre, um bocadinho de identidade de Portugal presente nos seus gestos, no seu dia a dia, na forma de olhar o mundo e agir.    

 

Artigo elaborado por Alexandra Trindade - Jornalista e formadora dos módulos de Técnicas de Comunicação e Contação de Histórias e de Desenvolvimento Pessoal e Criativo na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve. 

 

 Informações complementares:

Candidaturas:   https://escolas.turismodeportugal.pt/p/candidaturas-alunos-internacionais/

Mocca Cafee: Instagram - mocca.cafee

Cozinhar em casa: Instagram - homeeasycooking.official

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