Publicado em

10 de Janeiro de 2023

Escola do Turismo de Portugal //

Oeste

Somos Senhoras e Senhores ao serviço de Senhoras e Senhores

Somos Senhoras e Senhores ao serviço de Senhoras e Senhores

Quando se pensa num restaurante ou num espaço que serve comidas e bebidas, devemos pensar num espaço de sensações, de experiências sensoriais e até mesmo pensar que estamos a transmitir conhecimentos e novas tendências aos clientes. Como tal, é importante a existência de profissionais na área do serviço de mesa. 

Felizmente nos últimos tempos temos assistido a um interesse crescente de vários profissionais em especializarem-se em algumas áreas específicas, como por exemplo na área de serviço de vinhos.

A importância de ter um Escanção num restaurante é tão grande como ter um chefe de cozinha, passando a criar uma riqueza maior no serviço de vinhos e outras bebidas dando espaço, para que outros colegas possam também executar um melhor serviço.

Quase como reconhecimento da nossa área do saber servir, ser, estar e recomendar, eis que o famoso e reputado Guia Michelin atribui finalmente um prémio para a nossa arte de mesa. Este é finalmente o recomeço do reconhecimento do nosso trabalho, que possamos criar a mudança.

Ainda sobre o serviço de excelência, posso e devo partilhar a minha participação numa formação desenvolvida pelo Turismo de Portugal, “Formar Mentes - Moldar o Futuro/PEE 2022 - Premium Excellency Experience”. Durante uma semana acompanhei o trabalho de diversos restaurantes no Penha Longa, tendo o ponto de partida desta semana sido apresentado com o seguinte mote: “Somos senhoras e senhores ao serviço de senhoras e senhores.” Mais do que uma frase bonita, é um verdadeiro mote para um serviço de excelência, servir o outro pensando que amanhã posso ser eu a servida, ou simplesmente servir prazerosamente como se de um serviço não se tratasse. Antecipar as necessidades superando as espectativas do cliente, são estes alguns dos pontos essenciais para o sucesso e reconhecimento do nosso trabalho.

Será que conseguimos entrar nesta filosofia? Enquanto profissional da área de serviço e na qualidade de formadora, insisto neste ponto fulcral da importância do saber estar capacitado ao nível de formação profissional e ao nível emocional. O saber fazer e ser cada vez assume mais importância no nosso setor, mais do que a alimentar o Corpo, os nossos clientes procuram alimentar o Ego. E é precisamente nesse ponto de alimentar expectativas que nós devemos trabalhar. As nossas Escolas estão preparadas para formar e proporcionar grandes experiências aos Alunos, desde intercâmbios, participações em estágios no estrangeiro, estágios em restaurantes estrelados, desenvolvimento de projetos, entre outros. Ao proporcionarmos essas atividades, pretendemos justamente que os nossos alunos cresçam, que coloquem em prática os seus conhecimentos aliados aos seus gostos pessoais. Foi com esta perspetiva de trabalho que este ano a nossa Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste, pelas mãos dos alunos da turma de Gestão e Restauração de Bebidas de 3º semestre, no âmbito de uma disciplina de organização de eventos orientada pelo Formador João Dinis, iniciaram um trabalho fantástico para relançar o Festival de Cocktails do Oeste, agora na sua 5.ª edição, com o grande objetivo de reunir alunos de vários pontos do nosso país, com o intuito de estimular e dar a conhecer a tão nobre profissão de barman ou bartender. É com enorme entusiasmo que no próximo dia 12 de janeiro concretizaremos esta atividade. Em simultâneo e de forma a reunir esforços teremos ainda a primeira edição do concurso de pastelaria, resultado da disciplina desenvolvimento de produtos gastronómicos com o formador Bruno Marques, coordenador de Pastelaria, e os seus alunos de Gestão e Produção de Pastelaria de 3º semestre. Atualmente consideramos que a formação deve abraçar estes desafios, de ajudar e orientar os trilhos profissionais dos alunos, estimulando a motivação por esta arte de servir. Treinamos e preparamos de forma que se interessem sempre por mais formação e mais conhecimento.

No meu caso concreto, o que me motivou escolher a Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra, enquanto aluna, foi o facto de eu achar que precisava de saber mais sobre vinhos e não só. Esta minha lacuna aliada à minha vocação e ao interesse pela cultura do vinho foram o meu motor de entrada no curso de restaurante bar.

Tive a sorte de me especializar no serviço de vinhos. Sempre tive o cuidado de frequentar provas de vinhos e respetivas feiras. A minha vontade de querer conhecer a origem dos vinhos, de visitar as quintas e os produtores, desde cedo passou a marcar a diferença no trato que passaria a dar ao produto. Como sempre defendi que nos devemos destacar dos outros pela nossa dedicação e formação, assim que saí da escola tive o cuidado de me dedicar à área dos vinhos. Tanto cuidado tive, que fiz o esforço de ir trabalhar para o Hotel Vintage House que está situado no coração da região demarcada do Douro, quando digo esforço refiro-me simplesmente ao facto de estar longe de casa, porque sem dúvida este foi o passo mais importante que fiz na minha carreira profissional. Automaticamente passei a respirar vinho, compreender a complexidade do Douro fez-me crescer e querer saber mais e melhor, sempre sem deixar de respeitar o criador de cada projeto. Pouco a pouco, prova a prova, de formação em formação fui-me integrando e entrando neste mundo. Quando me foi confiada a responsabilidade de ser a primeira Escanção do Hotel Sheraton do Porto, senti que realmente todo o meu trabalho estava a ser valorizado, que todas as formações feitas começavam a dar frutos.
É importante não nos resignarmos ao que já sabemos e darmos continuidade aos estudos, à busca de conhecimento estimulando a origem das origens.

Hoje além de formadora sou também aluna, se alguma vez imaginei? Não estava nos meus sonhos nem ser formadora nem sequer ser aluna universitária, a cada novo conhecimento novo entusiasmo, nova reconquista e novo avanço.

Até ao dia de hoje, ainda me surpreendo pelo fato de poder proporcionar felicidade com a sugestão de um vinho a um cliente, (não só pelo álcool que este possa ter como pela sensação que possa transmitir.) Algumas pessoas podem pensar que tudo isto é irrelevante, que o vinho é todo igual, que tanto faz ser servido num copo grande como num pequeno, mas não é bem assim e é aqui que entra o nosso trabalho enquanto profissionais da área, pois porque compete-nos demonstrar para conseguir mudar mentalidades. Surpreende-me assistir à surpresa no olhar de um cliente por ter sido envolvido numa experiência, por terem antecipado a sua necessidade. Sonho ainda que a nossa área continue a atrair alunos e profissionais de hotelaria que queiram ser alunos, de forma que possamos fazer sonhar os nossos turistas, que possamos profissionalmente executar um serviço de forma exemplar.  

Fica o desafio para quem deseja aprofundar o conhecimento na área de vinhos e novos projetos, fique atento que muito em breve a Escola de Hotelaria do Oeste vai iniciar a 5º Edição do Curso de Escanção. Aos meus alunos, bem sei que são muito novos, mas tenho sempre a esperança que fiquem com a ideia de quanto este tema é importante e valioso. Muito mais haveria para partilhar, mas como diria o poeta Fernando Pessoa: “Dai-me mais vinho, porque a vida não é nada.” 

Artigo de Opinião elaaborado por Marisa Rosa - EHT do Oeste.

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