Publicado em

6 de Maio de 2021

Escola do Turismo de Portugal //

Viana do Castelo

Turismo pós-pandemia: diagnóstico digital?

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Turismo pós-pandemia: porque deve a sua empresa fazer um teste de aptidão digital?

 

Enquanto a retoma da atividade turística parece vir a tornar-se realidade a médio prazo, os profissionais da indústria turística e hoteleira poderão considerar dedicar algum tempo, que necessariamente sobra pela desaceleração da operação, a assegurar que cumprem os requisitos para que as suas empresas tenham condições para competir no meio digital assim que a procura comece a dar sinais de vida.


A questão que todos nos colocamos é: quando é que a procura turística vai regressar ao normal? Ou será que teremos de aceitar que “o novo normal” – esta expressão resignada, que não serve a quem tem negócios turísticos fechados e num vazio de faturação sem fim à vista – seja, de facto, o novo normal?


As restrições de viagens estão a ser constantemente atualizadas com base na evolução da pandemia e dos processos de vacinação das populações a nível mundial, o que gera um verdadeiro caos operacional para as empresas turísticas. Com a alteração constante das medidas e o anúncio de restrições ou do seu levantamento a curto prazo, os consumidores sentem-se inseguros e forçados a encurtar os períodos de viagem ou, mesmo, cancelar viagens para evitar a quarentena obrigatória, seja no país de destino ou de origem.


A aposta no mercado nacional

O foco nos mercados domésticos e a tendência “staycation” tem servido, em muitos destinos turísticos, como um amortecedor económico inevitável e necessário ainda que coloque em evidência a natureza historicamente divergente de mercados que são eminentemente recetores (destinos) face aos grandes mercados emissores. Se os primeiros, como Portugal, com atrativos turísticos inegáveis não têm, na maior parte dos casos, um mercado doméstico com a dimensão de procura suficiente para preencher a oferta instalada, já os segundos estão em clara vantagem no que diz respeito ao potencial do mercado interno, mesmo que, em alguns casos, o destino doméstico não pareça tão glamoroso como os destinos internacionais habituais.


Segundo um estudo publicado pela Organização Mundial do Turismo “Understanding Domestic Tourism and Seizing its Opportunities” o turismo doméstico global é seis vezes superior ao turismo internacional. Ora, esta feliz proporção aplica-se, sobretudo, aos países com os maiores mercados de turismo doméstico do Mundo como a Índia, a China, os Estados Unidos, o Japão, o Brasil e - na Europa - França, Espanha, Alemanha e Reino Unido.


No caso português, e à luz dos indicadores de 2017 referidos no mesmo estudo da OMT, as receitas turísticas em Portugal geradas pelos turistas estrangeiros foram o dobro daquelas geradas pelo mercado nacional.


Ainda assim, muitas das empresas fornecedoras de serviços turísticos no país podem – e devem – reposicionar a sua oferta e apostar num market fit para o mercado nacional, considerando segmentos de mercado capazes de dar resposta no curto prazo.



Alguns argumentos de marketing que pode usar na sua comunicação dirigida ao mercado interno:

- Segurança – A proposta da viagem dentro de fronteiras ganha, sobretudo, pela certeza de que o turista não será surpreendido por cancelamentos de última hora e alterações às restrições de viagem internacionais que possam obrigar a testes e quarentena.


- Baby Boomers – o segmento de mercado, porventura mais martirizado em termos de isolamento, será também aquele que se imuniza mais cedo, podendo estar mais disponível (e ansioso) para viajar, mesmo dentro de fronteiras. Considerar, sobretudo, os baby-boomers urbanos, que foram forçados a permanecer confinados em apartamentos, exacerbando um sentimento de clausura que urge libertar.


- Millenials – Habituados a viajar, esta geração vai demorar a vacinar-se, o que poderá significar uma maior dificuldade no acesso às viagens internacionais. É hora de conhecer este segmento de mercado, aproveitar a vontade intrínseca de viajar que caracteriza as pessoas desta geração e apostar em produtos e comunicação direcionados para o mesmo.


- Sentido patriótico – O apelo à contribuição para a retoma das empresas turísticas nacionais, pela recuperação do emprego e valorização da oferta turística nacional é um argumento ao qual os portugueses estão particularmente sensíveis nos dias que correm.


- "Bucketuga List"  – Se há bucket list de viagens que todos devíamos considerar é a de Portugal de lés-a-lés. Proponha a derradeira lista de locais nacionais que os nossos compatriotas não podem deixar de conhecer. O momento é agora.


 

A retoma turística internacional o novo paradigma de viagens

Se, de facto, o panorama não tem sido animador, também começam a chegar notícias que nos dão algum alento sobre o que poderá eventualmente ser, a curto prazo, a reabertura de fronteiras para viagens turísticas não essenciais; à medida que a vacinação avança e as taxas de infeção diminuem, a UE começa a trabalhar para concertar o levantamento de restrições à circulação de pessoas e o chamado passaporte de vacinação.


O facto é que os profissionais do setor turístico em geral encontram, neste período de vazio operacional, uma oportunidade de recalibrar os seus negócios de acordo com os novos paradigmas de viagens que, seguramente, caracterizarão a retoma turística a partir do próximo ano.


Correndo-se sempre o risco de fazer alguma futurologia, a verdade é que as grandes tendências apontam para uma mudança significativa nas viagens, nas motivações dos turistas, nas suas preocupações e nos fatores críticos de sucesso para a operação turística na era pós-covid’19. Numa tentativa de elencar algumas dessas grandes tendências da procura turística, é possível destacar as seguintes:


- Low touch / Contactless
Já todos integrámos a diminuição do toque e do contacto físico nas interações em geral. Na operação turística e na hospitalidade em geral privilegiar-se-ão as operações contactless sempre que possível.


- Distanciamento social /menos turismo de massas
O fim - há muito anunciado/desejado - do turismo de massas, começará agora a ser uma realidade, na medida em que as pessoas evitarão grandes ajuntamentos, dando preferência a ambientes mais amplos e com maior dispersão de pessoas.


- Ar livre/ natureza
A preferência pelos ambientes ao ar livre, destinos mais rurais, menos movimentados, contacto com a natureza e a procura por experiências mais orgânicas estarão na base de grande parte das motivações para atividades de lazer.


- Flexibilidade
Aligeirar o compromisso de compra no sentido da flexibilização das políticas de cancelamento e de alteração de reservas desempenhará um papel crucial no desenvolvimento de uma imagem empresarial empática para com os clientes, em tempos de incerteza. A procura por oportunidades e o foco em transações “value for money” estará, também, na ordem do dia.


- Sustentabilidade / responsabilidade social e ambiental

A consciência ambiental e social dissemina-se em larga escala, sobretudo entre os Millenials e Geração Z e gerações vindouras. A preferência por pequenos negócios familiares, a contribuição para o desenvolvimento das economias locais e a redução da pegada ecológica passa a ser um critério de decisão de compra prevalente.


- Pesquisa digital / compra digital

A digitalização dos processos, nomeadamente da decisão de compra em todas as fases do funil de vendas (tomada de conhecimento, inspiração, procura de informação, decisão, compra e fidelização) já é uma realidade há alguns anos; à medida que as gerações mais digitais envelhecem e passam a constituir grande parte do mercado de procura, afigura-se incontornável a presença eficiente das empresas num ambiente digital cada vez mais competitivo.


 A verdade é que com o aumento do tempo de inatividade, o distanciamento social e o confinamento, as pessoas tendem a consumir mais os meios digitais do que nunca. O Google e YouTube, plataformas de streaming e redes sociais revelam níveis de tráfego web muito superiores ao período pré pandémico, e assim parece continuar.

E agora, a questão que se impõe para todos os que pretendem preparar-se para melhores dias é a seguinte: estará a sua empresa nas melhores condições para competir no meio digital assim que se verifique a retoma da procura?

Apesar do trabalho administrativo e das enormes preocupações que decorrem da desafiante gestão financeira e de recursos humanos a que o contexto atual obriga, é necessário recalibrar os negócios, reinventando-os e adaptando-os à nova realidade que se avizinha, aproveitando para fazer um check-up ao marketing digital das empresas turísticas.


Check-list de Marketing Digital

- Quantas visitas mensais tem o seu website? E os websites dos seus concorrentes? Como tem evoluído este indicador ao longo do tempo? Quais as páginas do seu website mais visitadas? E as dos seus concorrentes?

Se não sabe responder a estas perguntas, o cenário pode ser pior do que esperava e, portanto, deve tomar medidas imediatamente! Comece por ligar o Google Analytics e o Google Search Console ao seu website e trate de observar a informação que estas plataformas lhe oferecem gratuitamente. Já para conhecer alguns dados sobre a performance do website dos seus concorrentes pode usar ferramentas online como o similarweb e o ubersuggest, entre outras.


- O seu site é responsivo? Demora muito tempo a carregar? Tem certificado de segurança?

Estas e outras questões são importantes para fazer uma auditoria técnica ao seu website; a saúde técnica do seu website é determinante para os seus resultados no meio digital.
Verifique se o site é responsivo, isto é, se se adapta a qualquer dispositivo a partir do qual o utilizador aceda, através deste link
https://search.google.com/test/mobile-friendly, analise quanto tempo é que demora a carregar e como pode resolver problemas de carregamento aqui https://developers.google.com/speed/pagespeed/insights/ e caso ainda não tenha um certificado SSL, aquele que lhe atribui o “https” e que garante uma navegação em segurança aos seus utilizadores, deve pedi-lo ao seu fornecedor de alojamento web.


- O conteúdo do seu website está otimizado para os motores de pesquisa? Sabe em que lugar dos resultados da Google é que o seu website aparece quando pesquisa uma palavra-chave relevante para o seu negócio (que não a designação da sua marca)? Sabe o que é SEO?

Otimizar o seu website para os motores de pesquisa (SEO – Search Engine Optimization) é fundamental para que a sua empresa possa aparecer bem posicionada nos resultados da Google. Não se esqueça que neste motor de pesquisa são realizadas mais de 63 mil pesquisas por segundo, sendo desejável que parte destas pesquisas possam encontrar a sua empresa. Além do website é absolutamente fundamental que reclame e atualize a sua página do GMB (Google my business). Se não sabe como fazer esta otimização, procure fazer alguma das formações sobre o assunto que o Turismo de Portugal tem disponível na sua Academia Digital.

- Está a par das tendências de pesquisa? Sabe o que é que os clientes procuram online nos vários mercados que são importantes para si?

Sempre foi do conhecimento geral que estudar o mercado deve ser uma das primeiras preocupações de qualquer profissional de marketing. A vantagem, agora, é que esse estudo de mercado pode ser feito online, em qualquer altura e com baixos recursos. Para isso contribuem várias ferramentas online como o Google Trends, o Google Travel insights, o Travel BI do Turismo de Portugal, entre outras.


- O conteúdo que publica (seja nas redes sociais, no seu website ou nas newsletters que envia por email) vai ao encontro dos assuntos que verdadeiramente interessam à sua audiência? Ou sempre que comunica tem o intuito de vender qualquer coisa?

O marketing de conteúdo assegura que a estratégia de publicações, alinhada com as preocupações de SEO, vá ao encontro dos temas que mais interessam aos seus públicos-alvo de modo a captar, de forma sistemática, a sua atenção.

Se o seu website não tem grande tráfego e se as suas páginas das redes sociais acabam por ter interações sempre das mesmas pessoas, então é provável que não esteja (ainda) a dar cartas no marketing de conteúdo. Para começar uma boa estratégia de content marketing assuma que os seus canais de comunicação são uma revista, com a marca da sua empresa, que distribui semanalmente para entreter, informar e agradar aos seus clientes. Pense como um jornalista e decida que conteúdo optaria por incluir nessa revista. Acha que os seus clientes leriam a sua revista se ela só tivesse publicidade à sua empresa e aos seus produtos em todas as páginas? Com certeza que não. Então, da mesma maneira deve gerir o conteúdo das suas publicações nos seus vários canais de comunicação.



Artigo escrito por:
Madalena Dinis

Assessora de Inovação e Comunicação

Formadora de Marketing Digital


Escola de Hotelaria e Turismo de Viana do Castelo

madalena.dinis@escolas.turismodeportugal.pt



Créditos da foto: "https://www.freepik.com/photos/travel" Travel photo created by freepik - www.freepik.com



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