Formação com impacto real no enoturismo em destaque no IV ENPE
A capacitação com impacto real nas empresas, nas pessoas e nos territórios esteve no centro do primeiro painel do IV Encontro Nacional dos Profissionais de Enoturismo (ENPE).
Ana Paula Pais, Diretora Coordenadora da Formação do Turismo de Portugal, sublinhou a importância de alinhar a formação com a inovação, a sustentabilidade e a produtividade do setor.
Na sua intervenção, destacou a vantagem estrutural da Rede de Escolas do Turismo de Portugal, nomeadamente a sua autonomia, dimensão e presença em todo o território nacional, como fatores determinantes para responder às necessidades concretas do enoturismo.
"Temos uma rede espalhada pelo território, com capacidade de agir, de criar e de adaptar respostas. Temos a matéria-prima necessária para fazer diferente", afirmou.
Modelos formativos mais flexíveis e acessíveis
Ana Paula Pais salientou a aposta do Turismo de Portugal em modelos formativos mais flexíveis, capazes de responder às limitações de tempo e de recursos que caraterizam o setor.
A criação de formatos de aprendizagem ajustados à realidade profissional, incluindo soluções online, têm permitido ampliar o acesso à formação.
Nas suas palavras, a pandemia foi identificada como um momento decisivo para acelerar esta transformação, contribuindo para a consolidação de uma oferta digital robusta, incluindo MOOCs dedicados ao enoturismo, de acesso livre.
"A formação online trouxe vantagens claras. É possível adquirir competências com qualidade, com maior flexibilidade", referiu.
Estas iniciativas, promovidas pelo Turismo de Portugal, integram um eixo específico de capacitação, com planos de formação definidos anualmente para o setor.
Formação próxima das empresas e orientada para a ação
Entre os exemplos apresentados, Ana Paula Pais destacou o programa Formação + Próxima, implementado em janeiro de 2022, que aposta numa lógica de formação em contexto real, desenvolvida em parceria com autarquias e associações locais, entidades próximas de micro e pequenas empresas.
"Neste momento, as pessoas têm acesso a formação gratuita. Nos últimos quatro anos, foram realizadas cerca de 300 ações de formação, com 6.400 participantes, exclusivamente em iniciativas ligadas ao setor dos vinhos", sublinhou.
Liderança, cooperação e cultura organizacional
A intervenção abordou ainda as competências de liderança e da cultura organizacional, destacando o défice de cultura de cooperação como um dos desafios estruturais do enoturismo.
"A cooperação e o trabalho em rede é fundamental. O enoturismo pode fazer a diferença nesse aspeto. Há rotas que funcionam melhor, porque existe esse ambiente de cooperação. As pessoas não querem ir só para aquele local, querem consumir a sua cultura. Sem trabalho em rede, a mudança não acontece", afirmou.
Sustentabilidade, digitalização e futuro do trabalho
No enquadramento do debate em torno da sustentabilidade, Ana Paula Pais destacou como prioridades para os próximos anos a digitalização humanizada, orientada para a inovação dos negócios, e a utilização da formação como instrumento de mudança.
"Temos um problema de digitalização e precisamos de evoluir. A digitalização humanizada é uma necessidade absoluta. Existem operações que podem ser automatizadas, mas a formação deve estar ligada à mudança organizacional. Temos que nos focar na inovação e na produtividade do negócio, e procurar formação que ajude nesse sentido. Portanto, ver a formação como um instrumento para a mudança na empresa e não como um ponto de partida. A qualificação como instrumento de inovação empresarial", afirmou.
Em síntese, o painel abordou a realidade das empresas de enoturismo, as dificuldades na atração e retenção de talento, a necessidade de alinhar a oferta formativa com as exigências do mercado, os desafios específicos dos territórios de baixa densidade, a sazonalidade e a importância de profissionais e empresários mais qualificados.
Estes temas foram enquadrados numa visão transversal de sustentabilidade - económica, social e de governação - associada à valorização das pessoas, à qualificação e à promoção de empregos dignos. Olhando para os próximos três anos, foi consensual que a prioridade deverá passar pelo desenho de ofertas formativas com impacto real, capazes de responder aos desafios da digitalização humanizada e de posicionar a qualificação como um instrumento de inovação e de transformação dos negócios, promovendo ganhos de produtividade e competitividade no enoturismo.
O Encontro Nacional dos Profissionais de Enoturismo (ENPE), organizado pela APENO, é o evento de referência do setor em Portugal, focado na formação, networking, partilha de boas práticas e debate de estratégias. Reúne adegas, agências e especialistas para discutir inovação, sustentabilidade e competitividade.
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