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10 MAI 2023
Escola de Hotelaria e Turismo do Porto

Entrevista com Nuno Tomaz - alumni EHTP

1. Quais dos conhecimentos técnicos adquiridos na EHTP, considera que foram e/ou são, ainda, fulcrais para a sua carreira? Qual destacaria?

Considerando as funções que desempenhei no passado e as funções e competências na empresa onde atualmente colaboro, o conhecimento de base adquirido na EHTP em áreas como a operacionalidade aérea e turística, de uma forma geral, hotelaria incluída, as cadeiras legislativas, o tratamento estatístico, contabilidade, a economia e administração de empresas, economia política, recursos humanos, psicologia e a sociologia foram pedras basilares para consolidar a minha carreira. Não só no nível operativo, mas sim e também ao nível de gestão, sendo este último aspeto aquele sobre o qual mais incide a minha atividade e as minhas competências nos dias de hoje.

2. Sendo uma indústria de pessoas para pessoas, que competências pessoais/humanas valoriza como ideais para os profissionais da área? Destaca alguma que considere mais relevante?

O Turismo atual obedece a premissas de excelência para que o valor percebido pelo turista seja efetivamente gerado. Deverá, por isso, assentar em princípios de cultura de serviço e personalização. E, nesse particular, a existência de know-how específico por parte do profissional, a aprendizagem contínua, o estar a par das tendências do mercado e, sobretudo, a disponibilidade absoluta assumem importância máxima. De entre estas, não poderei destacar uma em particular. Será a interdisciplinaridade entre elas que assumirá verdadeira relevância.

3. Quando escolheu a EHTP, fê-lo porque sentiu ter uma vocação, ou por outra(s) razão(ões)? Como identificou essa vocação?

Quando decidi escolher a EHTP, frequentava na altura o 2º ano do Curso Superior de Direito. Por achar que não me identificava com o curso em questão, não ter uma vocação especial pelas saídas profissionais do mesmo e por, de certa forma, viver já no âmbito do turismo (o meu pai trabalhava na área há 30 anos e a minha irmã encontrava-se a terminar o curso TEAT na EHTP), optei por escolher a EHTP para seguir uma carreira no sector.

4. Quais os principais desafios que um profissional deve enfrentar sem hesitações?

Entre os mais importantes: integração na empresa onde vai colaborar assimilando sem questionar a filosofia da mesma, as políticas estabelecidas e o respeito pelos demais colaboradores; assunção de uma postura proativa com vista à criação/apport de valor acrescentado; sendo um sector muito P2P (person to person) o cuidado com a imagem assume importância primordial. A imagem que projetamos de nós no/s primeiro/s minuto/s à outra pessoa poderá definir em grande parte o sucesso dos passos seguintes em termos dos resultados que se pretendam obter.

5. Qual foi o maior desafio da sua carreira? Porquê?

Quando, numa altura em que colaborava, num grande operador turístico espanhol (ano 1998) foi-me proposto e confiado o cargo de chefe do departamento de produto para Portugal dessa empresa (Politours). Isso veio colocar em cima da mesa toda a minha preparação/formação levada a cabo na EHTP e a minha experiência profissional acumulada na altura, que era ainda um tanto ou quanto insuficiente. Creio ter levado essa responsabilidade a bom porto, a avaliar pelas opiniões que circulavam sobre o meu desempenho e que iam chegando ao meu conhecimento. As funções exigiam uma aprendizagem rápida, um know-how de base muito extenso a vários níveis e em várias áreas de conhecimento, particularmente as relacionadas com a técnica e a gestão operacional. Igualmente desafiante é o posto que ocupo atualmente, que tem graus de exigência enormes, quer ao nível da expertise necessária, quer ao nível do das qualidades de relacionamento interpessoal, quer ao nível da cultura geral e preparação para lidar com todo o tipo de problemas. Esse grau de exigência obriga-me a uma procura constante de excelência.

6. De que forma se destaca a sua organização? O que a torna única? (Qual é a vossa “unique selling proposition”?)

Quando no mercado do sector nos deparamos com uma distribuição turística muito atomizada, com a existência de inúmeras empresas micro e PMEs com identidades corporativas distintas que não conseguem, sozinhas com a sua atividade, criar o efeito multiplicador desejado para aumentar as suas receitas e resultados operacionais, encontra-se no objeto da empresa que represento a solução para essas empresas: criação de economia de escala (teoricamente a economia de escala é a baixa que o custo unitário de produção sofre à medida que se aumentam as quantidades produzidas). Em linguagem comum, essas empresas unem-se a nós, com um simples contrato de prestação de serviços, e unem a sua produção individual à de um universo significativo de outras empresas, o que nos permite criar essa economia de escala ao nível negocial, criando rentabilidades adicionais e substanciais com um acréscimo de custo muito residual para essas empresas.

7. Por favor descreva, se possível, uma das cenas mais caricatas com a qual lidou ao longo da sua carreira.

Houve várias, mas há uma que merece destaque pelas lições que dela possam resultar e que vem pontuar tudo aquilo que se falou e se fala ao nível de profissionalismo e know-how neste sector. Presenciei-a numa agência de viagens. Entra um potencial cliente e questiona o profissional de serviço se naquela agência podia encontrar/comprar uma viagem organizada para um destino específico. O profissional prontamente perguntou ao cliente onde ficava esse destino. Caricata mas…, um exemplo do que não se deve fazer, sob pena de se perder imediatamente o cliente pela manifestação de desconhecimento de um fator, o que não é desculpável num pretenso especialista. Num mundo onde as tecnologias de informação são a ordem do dia, uma postura igual a esta perante os clientes, quando temos a informação à distância de um palmo, não será lá muito ortodoxa para empresas que querem criar condições para singrarem.

8. Tem alguma lição de vida que gostasse de partilhar? Algo que o marcou profundamente e contribuiu para a sua transformação como pessoa ou como profissional.

Numa altura em que a minha carreira se encontrava numa fase ascendente, com uma posição já com uma certa importância, a desempenhar funções que me satisfaziam quer como profissional quer como pessoa, bastante valorizado na remuneração, a empresa encerrou a sua atividade e vi-me, de um momento para o outro, numa situação de desemprego. Lição aprendida: é muito importante estarmos preparados ao longo da carreira para descer quantas escadas forem necessárias para podermos continuar a subir a escadaria. Saber voltar atrás no caminho e adaptar-se a isso é muito importante. Se em circunstâncias como essas pensarmos que só voltaremos “a jogo” nas mesmas condições que tínhamos na empresa anterior, mais vale pensar em arrumar as malas porque invariavelmente a viagem (carreira) termina aí. Felizmente, não tardou a conseguir colocação num a outra empresa do sector, com funções diferentes com remuneração a 1/3 do que auferia no passado. Nem nessas circunstâncias devemos deixar de plasmar no trabalho o nosso valor profissional e a colocar em jogo o nosso máximo empenho. A lei enunciada por Darwin é um bom exemplo neste contexto: “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente. Sim o que melhor se adapta.”

9. Quais os seus planos futuros em termos profissionais?

Percorridos quase 30 anos de uma carreira com períodos altos, alguns menos bons, e ocupando uma posição confortável nos níveis hierárquicos mais altos do organigrama da empresa onde colaboro há quase 17 anos, penso que o meu futuro passará por consolidar essa posição, e eventualmente, assumir outras funções com outra relevância caso a administração assim o entenda. No entanto, e como é uma profissão por conta de outrem, não estará descartada a possibilidade de alternar essa ocupação com um projeto de natureza pessoal, na área da hotelaria ou do alojamento local.

10. Que conselhos deixa para os atuais alunos da EHTP e que em breve serão seus colegas?

Perseverança, não desistir à primeira contrariedade, espírito aberto, aprendizagem é fundamental e não acaba quando termina o curso da EHTP (a EHTP deve ser considerada o alicerce sobre o qual assenta toda a fundação da carreira), e muita, muita paciência. Os cursos da EHTP dão saída para ocupações profissionais onde a interação pessoal é uma das alavancas que pode crivar bem fundo o sucesso de uma carreira bem-sucedida. Neste contexto, os skills de relacionamento social assumem extrema importância.

11. Com que frase gostaria de terminar esta entrevista?

Termino com uma frase do filósofo Sócrates, de alcance extenso: “Eu só sei que, quanto mais sei, melhor sei, que nada sei”. Isto para reforçar a ideia de que não devemos assumir as coisas como adquiridas. Todos os dias evoluímos, aprendemos, e damos mais passos no processo do conhecimento, não só no plano profissional, como também no plano pessoal. Se não nos adaptarmos às circunstâncias próprias de cada conjuntura e se optarmos por fixar uma âncora no princípio de que sabemos tudo e nada mais nos aportará valor, a nossa vez e aquele que deveria ser o nosso lugar perder-se-ão.

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