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17 mar 2026

Estudantes da rede de escolas do Turismo de Portugal dão voz ao mundo no World Speech Day

No dia 13 de março, a rede de escolas do Turismo de Portugal assinalou o World Speech Day, uma iniciativa internacional celebrada anualmente a 15 de março, que promove a partilha de ideias e o poder da palavra como instrumento de mudança.

O evento, que decorreu em formato digital através de uma transmissão em direto no Facebook, reuniu representantes das 12 escolas da rede, desafiados a refletir sobre temas que consideram urgentes e relevantes para a sociedade atual.

A sessão foi aberta por Vera Cunha, organizadora da iniciativa, que destacou o propósito do encontro. Sublinhou que o World Speech Day é, acima de tudo, um espaço de expressão para os estudantes, onde cada voz conta e cada pensamento pode fazer a diferença. Ao apresentar o alinhamento do evento, reforçou a importância de dar palco a “unexpected voices”, jovens com vontade de intervir e contribuir ativamente para um mundo melhor.

Seguiu-se a intervenção do fundador do movimento, Simon Gibson, que há mais de uma década lançou este projeto global, hoje responsável por dar voz a milhares de participantes em todo o mundo.

Ao longo da transmissão, os estudantes trouxeram testemunhos marcados pela diversidade de experiências, percursos e visões.

Flávia Lopez,estudante da Escola de Hotelaria e Turismo de Viana do Castelo, partilhou a sua história de emigração. Natural da Venezuela, chegou a Portugal aos 19 anos, enfrentando o afastamento da família e o desafio da adaptação. Encontrou na cozinha uma forma de manter vivas as suas raízes, enquanto constrói o seu futuro, transformando a saudade em força criativa.

Também marcada por uma forte ligação à identidade cultural, Angelina Magar, estudante da Escola de Hotelaria e Turismo do Porto, refletiu sobre liderança e exemplo. Natural do Nepal, destacou a importância de escolher líderes não apenas pelas palavras, mas pelos gestos e pela consistência das suas ações.

Da Escola de Hotelaria e Turismo do Douro-Lamego, Filipe Ribeiro alertou para os riscos do excesso de informação e da desinformação. Defendeu o pensamento crítico como ferramenta essencial de cidadania, num contexto em que a fragmentação social se torna cada vez mais evidente.

Uma perspetiva pessoal e inspiradora foi trazida por Gonçalo Pavão, da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra. Partindo da sua experiência enquanto aluno neurodivergente, sublinhou a importância de reconhecer diferentes formas de aprendizagem, defendendo que aprender fora dos modelos tradicionais é, ainda assim, aprender plenamente. No seu caso, a música assume um papel fundamental na concentração e no processo educativo.

Beatriz Coutinho, da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste, destacou a importância de comunicar como um verdadeiro cidadão do mundo, aliando criatividade e sensibilidade à construção de uma carreira na área da restauração e bar.

Ema Sizifredo, da Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, centrou a sua intervenção na "coragem de sentir", defendendo que são as emoções e as relações humanas que dão sentido à experiência de viver e de trabalhar com pessoas.

Na mesma linha de valorização das relações, Bianca Ramalho, da Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa, sublinhou a necessidade de ir além da simpatia superficial, promovendo uma empatia genuína no contacto com diferentes culturas, histórias e contextos.

A sustentabilidade e o papel das novas gerações estiveram em destaque na intervenção de Ariana Santos, da Escola de Hotelaria e Turismo de Setúbal, que apelou aos jovens do setor do turismo para assumirem um papel ativo na resposta às alterações climáticas.

Manuel Olímpio, da Escola de Hotelaria e Turismo de Portalegre, trouxe o tema da mudança de rumo, partilhando a sua decisão de deixar uma área anterior para seguir a cozinha. Defendeu que a coragem de recomeçar pode abrir novos caminhos pessoais e profissionais.

Diretamente do Algarve, Rodeth Nzambi apresentou uma reflexão centrada na educação como motor de transformação social. Natural de Angola, destacou o papel do conhecimento na construção de oportunidades e na valorização das identidades culturais, apontando o turismo como um potencial impulsionador do desenvolvimento do seu país.

A tecnologia e os seus impactos foram analisados por Carlos Jacinto, da Escola de Hotelaria e Turismo de Portimão. O estudante alertou para o uso excessivo da inteligência artificial, destacando riscos como a diminuição do pensamento crítico e o impacto ambiental associado ao consumo energético dos centros de dados, sem deixar de reconhecer as suas vantagens.

Por fim, Tatiana Machado, da Escola de Hotelaria e Turismo de Vila Real de Santo António, deixou um apelo direto ao diálogo. Numa sociedade onde o isolamento pode assumir várias formas, defendeu a importância da empatia, da conversa e da procura de ajuda, em detrimento de mecanismos de fuga como o álcool, as drogas ou o excesso de consumo digital.

O evento contou ainda com o testemunho de Yasmin, antiga participante e representante das escolas no Youth Parliament, que incentivou a comunidade a expressar as suas ideias e a reconhecer o seu propósito individual.

Como resultado desta edição, foram eleitos dois representantes para o Youth Parliament: Gonçalo Pavão e Flávia Lopez.

Pelo sexto ano consecutivo, a iniciativa voltou a dar palco global a estudantes da rede, sob o desafio "Speak as a World Citizen". A inclusão foi também uma prioridade, com a presença de Marina Silva, intérprete de Língua Gestual Portuguesa, garantindo o acesso dos conteúdos a um público mais alargado.

Mais do que um conjunto de discursos, o World Speech Day afirmou-se, uma vez mais, como um espaço de reflexão, partilha e construção de cidadania ativa, onde jovens de diferentes origens encontram na palavra uma forma de intervir no mundo.

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