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26 fev 2026
Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril

Rita Caldas

Paixão e Excelência

Esta segunda edição da rubrica Radar da Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, recebemos Rita Caldas, formadora de Serviço, cujo percurso se distingue pela dedicação constante, paixão contagiante e um compromisso firme com a excelência.

Em 1999, iniciou a sua formação numa das Escolas do Turismo de Portugal – Escola de Lisboa e, anos mais tarde, trouxe a sua experiência, paixão e dedicação para a Escola do Estoril, onde leciona desde 2012.

Esta é uma história que fala também de compromisso — valor que marca o seu percurso e que continua a guiar a forma como acompanha os alunos todos os dias.

Nesta entrevista, Rita Caldas partilha memórias, reflete sobre os desafios e oportunidades do setor da restauração e revela aquilo que a move: ajudar cada jovem a crescer com autonomia, coragem e entusiasmo, levando consigo valores e conhecimento que perduram para a vida.

É também uma conversa que reflete entusiasmo e fascínio, e sobre como a Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril prepara profissionais capazes de criar impacto e fazer a diferença.

Regina Madruga

O que a motivou a escolher a área da hotelaria?

Num verão, ainda adolescente, fui trabalhar num restaurante mexicano para ganhar algum dinheiro. Naquele verão, “tudo mudou”. Lembro-me de preparar a minha primeira margarita — com mais entusiasmo do que técnica (risos) — e de descobrir um livro de cocktails que comecei a estudar com dedicação.

Procurei escolas de hotelaria nas páginas amarelas (risos) e liguei, eu própria, a pedir informações.

Quando cheguei à escola, foi um verdadeiro choque — não era nada daquilo que eu estava a imaginar. Era completamente diferente do que eu conhecia, e adorei de imediato.

Uma das grandes surpresas aconteceu quando descobri que o meu professor de Bar era, na verdade, o autor do livro de cocktails que eu tinha lido com tanto entusiasmo naquele tal verão. Foi o pináculo da situação! (risos) Senti-me predestinada a trabalhar na área. Acho que “a minha vida encontrou a hotelaria e que a hotelaria me encontrou a mim.”

Entrei na Escola de Hotelaria e Turismo de Lisboa em 1999.

Sempre gostei da área de Bar, mas com o passar do tempo percebi que o meu perfil e interesses se alinhavam mais com o trabalho em Restaurante, sentia-me mais realizada no serviço de mesa.

Hoje a minha área é...

especialmente de serviço de mesa, tudo o que está relacionado num restaurante em termos de atendimento ao cliente (que tem mil subtemas), tudo o que tem a ver com a mise-en-place (“colocar no lugar” – organização prévia) o protocolo, a logística (de serviços, em eventos, por exemplo), coordenação com a cozinha (importantíssimo), o tratamento com o cliente.

Como foi o seu percurso profissional antes do ensino?

Estagiei na Pousada de Queluz e depois no Pestana Palace Lisboa, que na altura era já uma grande referência. Trabalhei vários anos em restauração até abrir o meu próprio restaurante, em Cascais.

Ter o meu negócio deu-me outra perspetiva: liderança, gestão de equipas, fornecedores, pressão financeira e outras.

Foi, em 2012, que surgiu o convite para lecionar na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril. Aceitei, inicialmente com dúvidas. Hoje, passados 14 anos, sei que estou no caminho certo. Adoro dar aulas.

O que a faz sorrir quando está a dar aulas? 

Gosto genuinamente do que faço. Mas aquilo que mais me toca é ver a transformação. Observar o desempenho dos alunos no primeiro dia do 1.º ano e observar, depois, no último dia do 3.º ano é impressionante e emocionante.

Entram muitas vezes inseguros, com “pouco mundo”, e saem mais estruturados, mais confiantes, mais preparados para a vida. Sinto que contribuí, ainda que em pequena parte, para esse crescimento — e eles também me transformam a mim.

O que mais a surpreende nas novas gerações?

Os alunos chegam como um quadro em branco, e é possível ir preenchendo com experiências, conhecimento e valores. É inspirador perceber que, mesmo com desafios de concentração ou falta de experiência, eles têm vontade de aprender e crescer.

Conte-nos uma história com alunos que a tenha marcado ou inspirado?

Aprendi a estar sempre atenta a todos os detalhes, a ouvir e a filtrar cada situação, e a perceber que cada aluno traz consigo um contexto único que influencia o seu comportamento.

Há histórias de sucesso que emocionam. Recentemente, um antigo aluno conquistou a pontuação máxima na Bolsa Luís Patrão, promovida pelo Turismo de Portugal, e hoje é diretor de Food Beverage num restaurante com duas estrelas Michelin, em Marraquexe. Saber que acompanhei o seu percurso desde os primeiros dias, ajudando-o a crescer, aprender e nunca desistir, é uma realização imensa. Outros alunos trabalham em restaurantes de renome, lideram equipas locais e continuam a ligar para partilhar conquistas e novidades. É esta ligação duradoura que torna o ensino tão significativo.

Também me alegra quando continuam a telefonar-me e a questionarem: “Professora, o que acha de…? Ou “professora, fui pai…”, mesmo depois de alguns anos. Significa que o vínculo ficou. Que a escola ficou.

O serviço de sala continua a ser uma profissão valorizada? Com as novas tendências pode deixar de existir?

Está a transformar-se. O serviço nunca deixará de existir, porque o contacto humano nunca deixará de ser essencial.

As pessoas gostam de atenção e de ser compreendidas. O serviço — seja num restaurante tradicional, num hotel de luxo ou num conceito contemporâneo — exige preparação, perfil e formação.
Continuo a acreditar que o mérito está em fazer bem, independentemente do contexto. Um bom profissional é aquele que entende o cliente, antecipa necessidades e trabalha com rigor.

O serviço nunca vai deixar de existir porque o atendimento ao cliente é essencial, independentemente do formato — à mesa, ao telefone ou no take-away. É necessário treinar, aprender e preparar profissionais que saibam antecipar necessidades e criar experiências, mesmo com margens reduzidas e ritmo acelerado.

Que mito sobre o serviço gostaria de desfazer?

Há um mito antigo de que qualquer pessoa consegue ser profissional de serviço de mesa. Isso não é verdade. Para ser bom, é preciso ter perfil, interesse e formação. Um bom serviço exige estudo, treino, dedicação e capacidade de observar o cliente e o contexto. Não é apenas servir pratos; é criar experiências, antecipar necessidades e cuidar do cliente com atenção genuína.

 

Porque é que o contacto humano e o detalhe são tão importantes? 

Todas as pessoas gostam de atenção, compreensão e cuidado. Os profissionais da restauração precisam de estar preparados para perceber que tipo de atenção dar, em que momento e de que forma. Isso é a chave para criar experiências boas e/ou memoráveis.

 

Que mudanças sente que estão a transformar a restauração hoje?

Hoje, há supermercados e alguns grandes espaços oferecem take-away e refeições prontas, ou mesmo grandes restaurantes com conceitos de volume diferenciado, que altera a forma como as pessoas se alimentam fora de casa, reforçando a importância de preparar profissionais capazes de responder a diferentes formatos de serviço com qualidade e atenção ao detalhe e criatividade.

Assistimos também a uma mudança nos hábitos do consumidor, o cliente valoriza a conveniência, experiências mais informais e consumo em casa, mas continua a procurar experiências memoráveis quando escolhe um restaurante.

Para dar resposta a este quadro atual, é essencial formar profissionais versáteis, preparados para diferentes desafios e capazes de inovar, na Escola formamos profissionais capazes de trabalhar na restauração tradicional, em conceitos contemporâneos ou em áreas especializadas.

Apesar dos desafios, existem transformações muito interessantes. Alguns setores estão a valorizar-se de forma significativa, como o setor dos vinhos e as equipas de bar. Hoje, os sommeliers têm formação específica, são reconhecidos e valorizados, e encontram oportunidades que antes não existiam.

 

Como define a Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril em três palavras?

Compromisso. Pessoas. Responsabilidade.

Um compromisso, entre a escola e os alunos. Um compromisso de melhorar a vida das pessoas. E acho que esse trabalho fazemos bem. Eu faço o que eu posso e à minha volta estou rodeada de pessoas que o fazem também. Isso também é um motivo de orgulho. A Escola são as pessoas. As pessoas que trabalham para um bem comum. O bem comum são os nossos alunos.

Temos a capacidade de mudar a vida das pessoas. E isso é uma responsabilidade. A responsabilidade que marca a Escola. O passaporte da vida deles é carimbado pela nossa Escola. É importante que esse carimbo seja um motivo de orgulho. Nosso (escola) e deles (alunos).

Se tivesse 30 segundos para falar com um jovem e com os pais, o que diria sobre estudar na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril?

Estudar nesta escola é uma marca para a vida porque vai servir aos alunos para todos os momentos da vida, pessoal e profissional, mesmo que um dia decidam enveredar por outra carreira profissional. O que vão aprender aqui nunca vai deixar de ser útil e vai ajudá-los a crescer e a ter uma estrutura para enfrentar a vida, seja qual fora a área em que trabalharem.

EHTE: contam os bastidores que esta conversa foi recheada de emoção, comoção e muito brilho nos olhos. Obrigada, Rita Caldas.

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