
Este mês, na rubrica RADAR, damos voz ao Chef Vítor Areias, um profissional que fez da paixão pela gastronomia um percurso de aprendizagem contínua, criatividade e partilha de conhecimento.
Antigo aluno da Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, onde estudou entre 2001 e 2004, construiu uma carreira sólida na cozinha profissional, passando por várias referências da restauração nacional e internacional.
Hoje, divide o seu tempo entre a atividade profissional e a formação nos cursos de Gestão e Produção de Cozinha e Culinary Arts da nossa Escola.
Defensor da sazonalidade, dos produtos locais e de uma criatividade sustentada pelo conhecimento técnico, acredita que cozinhar é muito mais do que executar receitas: é compreender produtos, respeitar processos e criar experiências memoráveis.
Nesta conversa, partilha connosco as aprendizagens que marcaram o seu percurso, os desafios que contribuíram para o seu crescimento profissional e a forma como inspira novas gerações de cozinheiros a aliarem paixão, exigência e inovação.
Regina Madruga
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Como foi ser aluno desta Escola?
Terminei o curso nesta escola com 17 anos. O meu percurso foi regular — não era um aluno de destaque nem tinha dificuldades relevantes, estava sobretudo a construir o meu caminho. Nas aulas práticas encontrava a minha maior motivação.
O primeiro contacto com a realidade profissional (estágio curricular) foi um choque, por me deparar com uma cozinha mais tradicional, com horários exigentes e uma dinâmica muito diferente daquilo que idealizava. Mais tarde, num segundo estágio, em contexto de maior exigência e organização, percebi verdadeiramente o que significa trabalhar em cozinha: ritmo, disciplina e método em cada detalhe do serviço.

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Quando percebeu que queria ser chef?
A cozinha sempre fez parte da minha vida. Cresci num ambiente com ligação à restauração e sempre gostei de cozinhar em casa. A minha mãe percebeu isso cedo.
Abrir tachos, observar, experimentar e cozinhar com ela fez parte desse processo. Mais tarde, via programas de cozinha que também reforçaram essa ligação.
Foi um caminho natural, sem um momento único de decisão.
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Conte-nos um desafio marcante no percurso profissional.
Um dos desafios mais importantes foi ter aberto o meu próprio restaurante em 2015. Foi um projeto muito desejado e com muitas aprendizagens.
Rapidamente percebi que vontade, talento e trabalho não são suficientes: um negócio exige também estratégia, gestão e visão. Foi uma aprendizagem exigente, porque nem sempre o esforço garante o resultado.
Com o tempo, entendi que um projeto que não corre como esperado não é um falhanço, mas uma etapa de aprendizagem. Hoje, essa experiência foi fundamental para a minha maturidade profissional e para a forma como trabalho atualmente em projetos com sócios que complementam as minhas competências.

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Como define a sua identidade gastronómica em três palavras?
Adaptação, porque acredito que a cozinha deve ajustar-se ao conceito, ao cliente e a cada contexto.
Sazonalidade e proximidade, porque valorizo trabalhar com produtos da estação e locais, respeitando o seu tempo e origem.
Criatividade, porque gosto do desafio de criar e experimentar coisas novas, mantendo uma procura constante por evolução.
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A cozinha portuguesa continua a ser uma inspiração?
A cozinha portuguesa é a minha base e também uma referência emocional. É impossível dissociar-me dela — pratos como arroz de cabidela ou açorda fazem parte da minha identidade enquanto cozinheiro.
A nossa gastronomia tem uma riqueza enorme, marcada pela criatividade e pela forma como, num país pequeno, conseguimos grande diversidade, às vezes, a partir de poucos ingredientes.
Essa criatividade está presente nas diferenças regionais e na capacidade de adaptação da nossa cozinha — do uso do pão no Alentejo às receitas conventuais à base de ovos. Mais do que um povo de “desenrasque”, somos um povo profundamente criativo.

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Quais são os 3 ingredientes mais importantes num prato memorável?
Sabor, textura e apresentação.
O sabor é o elemento central, aquilo que fica na memória. A textura garante equilíbrio e identidade ao prato. A apresentação completa a experiência e influencia a primeira perceção.
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Como é ser formador na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril?
É muito gratificante. Gosto de ensinar, de inspirar e de transmitir motivação aos alunos.
Dou aulas nos cursos de Gestão e Produção de Cozinha e Culinary Arts, de nível 5, e procuro ser exigente, para que os alunos percebam a realidade da profissão.
É muito recompensador receber, mais tarde, mensagens de antigos alunos a reconhecerem que essa exigência lhes deu bases e método. Esse reconhecimento é uma das partes mais gratificantes do meu trabalho.

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O que mais gosta de transmitir aos alunos para além da técnica?
Procuro transmitir exigência, rigor e sentido de realidade. A cozinha profissional vai muito além do que se vê nas redes sociais ou televisão.
É essencial desmistificar a profissão e preparar os alunos para a realidade do trabalho em cozinha, onde é preciso estar apto para o mais simples, mas também para a alta cozinha.
Acredito também que cozinhar é servir no sentido mais positivo: criar experiências. O cozinheiro é sensibilidade, detalhe e atenção constante ao produto.
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Qual o seu conselho para quem quer chegar longe na gastronomia?
Não desistir à primeira dificuldade.
A gastronomia exige persistência, paixão e vontade constante de aprender. Quem gosta desta área encontra sempre forma de continuar a evoluir.
Vivemos um momento interessante, mas também desafiante, com conceitos muito diversos — alguns com grande qualidade, outros mais focados na imagem, no que é “instagramável”, do que no conteúdo.
É essencial saber distinguir o que tem valor real na cozinha, valorizar o que se come e manter sempre o espírito crítico e a curiosidade.
EHTE: entre exigência, aprendizagem e criatividade, ficou claro que a cozinha é feita de realidade, de paixão e evolução constante. Obrigada, Chef Vítor, pela partilha inspiradora.
Entrevista, edição de texto, vídeo e imagem: Delfina Baião (Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril)
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Candidaturas abertas | 2026/27
Se tem o 9º ano ou o 12º ano e sabe que as áreas mais fascinantes estão no seu horizonte, candidate-se e faça parte desta grande turma da Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril .
📅 Candidaturas até 19 de junho 2026
🎓 Cursos Profissionais | Acesso com o 9.º Ano
👨🍳 Técnico/a de Cozinha e Restauração
🛎️ Técnico/a de Alojamento Hoteleiro
🎓 Cursos de Especialização Tecnológica | Acesso com o 12.º Ano
🏨 Gestão Hoteleira e Alojamento
🍽️ Gestão de Restauração e Bebidas
👨🍳 Gestão e Produção de Cozinha
🍰 Gestão e Produção de Pastelaria e Padaria
👨🍳 Culinary Arts
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